Jornal do Brasil

Domingo, 17 de Dezembro de 2017

Internacional

Para antigo premiê, Ucrânia está se aproximando do modelo da Alemanha nazista

Sputnik

Passaram quatro anos desde os acontecimentos trágicos que abalaram a sociedade ucraniana. O chamado Maidan começou na praça central da capital ucraniana, Kiev, em 21 de novembro de 2013, os confrontos duraram vários meses e deixaram muitos mortos e feridos.

O Maidan levou à derrubada do presidente Viktor Yanukovich e ao conflito armado no leste do país que até hoje ainda não foi resolvido.

Em conversa com o serviço russo da Rádio Sputnik, Nikolai Azarov, primeiro-ministro durante a presidência de Yanukovich (2010-2014), fala das mudanças catastróficas por que está passando a Ucrânia.

"Claro que há pessoas que passaram a viver melhor. O Maidan levantou do fundo todo o lixo e espuma para o topo da governação. Um virou deputado, outro ministro, como, por exemplo, Avakov [Arsen Avakov, ministro do Interior ucraniano], um pequeno vigarista que agora manda em militantes armados. Poroshenko, um empresário qualquer, agora é presidente e bilionário", diz Azarov.

Falando dos atuais dirigentes da Ucrânia, Azarov sublinhou que o regime não presta atenção à economia, mas sabe apoiar aqueles que podem, pela força das armas, fazer o povo temer.

"Existem pessoas que o regime apoia. Eles estão prontos a espancar, matar, fuzilar, que é o que eles fazem. A maioria das pessoas está sofrendo", afirmou, se referindo à redução das pensões e aumento de preços dos medicamentos, o que consequentemente leva à redução da população.

Tendo uma experiência enorme de governação, Azarov compartilha sua opinião sobre o que o país precisa para voltar à vida normal.

Primeiro, explica o ex-premiê, é necessário desmilitarizar e desarmar todas as formações ilegais, reestabelecer a ordem constitucional e a legalidade no país, já que hoje em dia os criminosos aterrorizam as empresas. O sistema de segurança pública está destruído, as autoridades se preocupam apenas com seu enriquecimento, destaca Azarov.

"Acontece que na Ucrânia não há nenhum poder político que possa fazer voltar o país ao caminho do desenvolvimento normal. A Ucrânia se aproxima a todo o vapor do modelo que existia na Alemanha nos anos 1935-1936. Falta apenas um führer como Hitller. A Ucrânia não é capaz de lidar com isso sozinha. Até o Reich existiria por mil anos se não fosse derrubado do exterior", frisou.

Para mudar a situação, segundo Azarov, o isolamento externo é essencial. O ex-premiê está seguro que se os EUA e Europa deixarem de apoiar Poroshenko, o regime vai cair. Azarov destacou ainda, comprovando assim a opinião de muitos analistas, que a Ucrânia é uma moeda de troca nos interesses das grandes potências, enquanto o ataque principal é dirigido contra a Rússia.

Tags: conflito armado, golpe, kiev, nikolai azarov, ucrânia

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