Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Setembro de 2017

Internacional

Itália sabia de ligação do Egito com 'caso Regeni', diz jornal

EUA enviaram provas sobre envolvimento de agentes de segurança

Agência ANSA

Após o retorno do embaixador da Itália ao Egito, o "caso Giulio Regeni", pesquisador de 28 anos assassinado no Cairo, ganhou um novo capítulo. O jornal "The New York Times" publicou nesta terça-feira (15) um artigo dizendo que o governo do então primeiro-ministro Matteo Renzi sabia do possível envolvimento dos serviços de segurança egípcios no crime.

O diário norte-americano cita fontes ligadas ao governo do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama e que garantem que Roma recebeu um relatório de Washington sobre o homicídio.

"Encontramos provas incontestáveis da responsabilidade de funcionários egípcios", afirma um informante do "NYT".

Segundo o jornal, sob recomendação da Casa Branca e do Departamento de Estado norte-americano, essas conclusões foram enviadas no ano passado ao governo Renzi, primeiro-ministro da Itália entre 2014 e 2016.

"Não estava claro quem tinha dado a ordem de raptar e, presumivelmente, matar", reforça outra fonte. Mas Washington sabia que a "liderança egípcia estava totalmente ciente das circunstâncias da morte de Regeni" e compartilhou essas informações com a Itália, de acordo com o diário.

"Não tínhamos dúvidas de que esse caso era conhecido nos mais altos níveis [no Egito]. Não sei se eles tinham culpa, mas sabiam", afirma um terceiro informante. Giulio Regeni estava no país africano para preparar uma tese sobre a economia local e sindicatos independentes e foi encontrado morto no dia 3 de fevereiro de 2016, em um bairro do Cairo.

Ele fora visto com vida pela última vez em 25 de janeiro do mesmo ano, em uma linha de metrô da capital, e seu corpo tinha evidentes sinais de tortura. Regeni frequentava organizações sindicais clandestinas e contrárias ao regime do presidente Abdel Fatah al Sisi, o que levantou a hipótese de crime político.

Porém o caso permanece sem solução. Na última segunda-feira (14), a Itália decidiu reenviar ao Cairo seu embaixador no Egito, Giampaolo Cantini, que havia sido chamado para consultas em abril de 2016. A medida irritou a família de Regeni, mas Roma alegou que as autoridades egípcias estavam dando sinais de "cooperação" nas investigações. 

Tags: agencia, ansa, europa, internacional, italia

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