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'Financial Times': China e Rússia buscam construir aliança

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O jornal 'Financial Times' publicou nesta quinta-feira (20/11) um artigo sobre uma aproximação cada vez maior de dois gigantes, lembrando velhos tempos.  “A China e a Rússia assumiram um compromisso de fortalecer relações bilaterais militares e realizar exercícios navais para enfrentar a influência norte-americana na região Ásia-Pacífico num momento em que aumenta o coro de vozes alertando sobe uma iminente ‘nova guerra fria’”, diz a matéria de Jamil Anderlini.

O jornalista prossegue: “Durante uma visita a Pequim, onde encontrou o primeiro-ministro chinês Li Keqiang, o ministro da defesa russo Sergei Shoigu disse que os dois lados “expressaram nossa preocupação com as tentativas dos norte-americanos em reforçar sua influência política e militar na região Ásia-Pacífico,” divulgaram as mídias estatais da China e da Rússia.

 “Nossa coperação nas esferas militares têm grande potencial e o lado russo está pronto para desenvolvê-la através do espectro de território mais amplo possível,” disse Shoigu. “Vemos a formação de um sistema de segurança coletivo regional como objetivo principal de esforços conjuntos.”

A delegação russa também traçou um paralelo entre as atuais manifestações pró-democracia em Hong Kong e as chamadas “revoluções coloridas” nos antigos estados soviéticos, incluindo a Ucrânia, a quem a China e a Rússia acusam de ser instigada pelos Estados Unidos e seus aliados”.

“O ministro da defesa da Rússia, Anatoly Antonov, até pareceu sugeriu que a Rússia estaria disposta a ajudar Pequim a enfrentar os protestos pacíficos em Hong Kong.

“Nós acompanhamos os fatos que aconteceram recentemente em Hong Kong e os dois ministros reconheceram que nenhum país pode se sentir inseguro diante de revoluções coloridas,” disse Antonov, segundo a mídia estatal russa. “Acreditamos que a Rússia e a China  deveriam trabalhar juntas para opor essa nova ameaça à nossa segurança.”

“Os dois lados concordaram em realizar exercícios navais em conjunto, o quarto nos últimos anos, no  Mediterrâneo na próxima primavera, seguido de exercícios navais no pacífico.

No momento em que as lutas se intensificam ao leste da Ucrania e os vizinhos russos se preocupam com uma crescente beligerância de Moscou, Pequim descreveu as relações Sino-Russas como as melhores que já tiveram.

A situação atual na Europa levou o ex-líder soviético Mikhail Gorbachov a alertar na semana passada que o mundo está se aproximando de uma nova guerra fria, um sentimento repercutido por autoridades belorussas na terça-feira”, diz o artigo do Financial Times.

“Diante da previsão de novas sanções vindas do ocidente, o presidente russo Vladimir Putin procurou se aproximar da China para demonstrar que tem opções econômicas e estratégicas e não está completamente isolada no cenário mundial.

Os líderes autoritários da China deram boas vindas às aberturas enquanto também fazem reivindicações estridentes por territórios no leste e nos mares chineses do sul e buscam se impor sobre vizinhos menores e seu inimigo da Segunda Guerra Mundial, o Japão.

Mas ambos os lados permancem cautelosos com o fato de ficarem muito próximos e terem dificuldade de superar uma longa história de desconfiança mútua e desprezo, segundo  especialistas chineses e ocidentais, que monitoram a relação”, continua a matéria.

Mesmo com todas as conversas visando laços militares mais próximos e exercícios em parceria, a Russia até agora recusou vender sua tecnologia militar mais avançada, incluindo motor a jato e caças, para a China.

Pequim buscou estabelecer laços mais próximos com Moscou através de uma maior cooperação com os EUA e seus aliados, enquanto Putin procura fortalecer relações com Tóquio, para o espanto da China.

E até quando o ministro russo da defesa estava se reunindo com seu counterpart chinês Chang Wanquan na terça-feira, um oficial de alto escalão do partido comunista chinês visitava a Finlândia, país que se encontra em alerta diante de qualquer sinal de invasão russa.

Ao mesmo tempo, uma delegação de top-level da Coréia do Norte encontrou com Putin no Kremlin em meio a especulações de que o líder do país Kim Jong Un faria sua primeira visita ao exterior como líder to Russia em vez da Cina, seu tradicional aliado.

Autoridades chinesas dizem que os laços entre Pyongyang e Pequim chegaram ao pior nível de todos os tempos desde que Kim assumiu o reinado eremita e particularmente desde que executou seu tio, Jang Song Thaek, que era visto como contato chave da China em seu país.

Durante a visita do ministro da Defesa da Rússia, a agência federal espacial russa também discutiu uma cooperação com a China, que está interessada em construir motores de foguetes e empreender uma parceria para uma exploração tripulada do espaço, a teledetecção e projetos de  navigação por satélite, segundo a mídia estatal russa.