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Depois de Bieber, boate Centaurus ganha espaço no New York Times

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A cidade do Rio de Janeiro é um dos destaques do The New York Times desta segunda-feira (11/11), em avaliação dos esforços para fortalecer a imagem "da metrópole mais sexy do Brasil", às vésperas de sediar uma Copa do Mundo e as Olimpíadas de 2016. A reportagem do jornal norte-americano cita que visitantes do "mais alto perfil" ao Rio, priorizaram um "legendário bordel" carioca, a boate Centaurus, em Ipanema. Este mês foi o ídolo pop canadense, Justin Bieber, flagrado por fotógrafos ao deixar a boate enrolado em um lençol, e antes uma dúzia de jogadores e treinadores da equipe de futebol do México, que escolheram como diversão o clube que fica localizado num dos bairros mais valorizados da cidade e à beira-mar.  

O NYT cita outros astros que frequentaram a Centaurus há pouco tempo, entre eles o ator americano Vin Diesel e o cantor do funk brasileiro Mr. Catra. O jornal entrevistou Laura Murray, uma cineasta e estudiosa em documentários sobre prostituição no Brasil. "Há uma espécie de pânico moral no Rio a medida em que nos aproximamos desses mega-eventos", disse a cineasta ao NYT. 

Segundo o veículo, o governo brasileiro está preocupado em fazer uma campanha de "higienização", que tem como foco a repressão de pontos de prostituição e, ao mesmo tempo, alimenta a discussão dos direitos das prostitutas, pesando na realização dos grandes eventos esportivos, que podem colocá-las em situação de risco com os grupos de tráfico humano. O texto ainda levanta a questão de uma "hipotética legalização" de boates como a Centaurus, pelo fato de receber celebridades internacionais. 

A reportagem relembra que a Centaurus já esteve na mira da Justiça e chegou a ter as suas atividades suspensas, na época da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012. A polícia federal invadiu mais de 10 bordéis e casas noturnas, incluindo Centaurus, e dois gerentes foram presos na boate e os agentes encontraram cerca de US $ 150.000 em dinheiro e 90 prostitutas trabalhando no momento da operação. Porém, um juiz se esforçou para livrar a boate das acusações e os seus serviços voltaram ao normal. 

Segundo a matéria do NYT, em diversos estados nacionais as prostitutas estão se preparando para "o torneio de futebol da Copa do Mundo",mas de forma que contrastam com a repressão do Rio de Janeiro. Em Minas Gerais, uma associação de prostitutas chegou a um acordo com um banco do governo permitindo que elas possam trabalhar com cartões de crédito, e estão organizando aulas de inglês para se preparar para a interação com os estrangeiros.

Outras repercussões em tempos de Copa no Brasil

Em outra reportagem acerca da Copa do Mundo de 2014, o New York Times afirma que o Brasil não está acostumado a visitantes estrangeiros, apesar das suas beleza naturais. Pelas informações do veículo norte-americano, o Brasil está em 39 lugar na lista da Organização Mundial do Turismo, que classifica as despesas turísticas no mercado internacional, atrás de países muito menores, como o Líbano, Croácia e Malásia. No próximo ano, o governo estima que os gastos com turismo no Brasil cresça em 55%, graças a Copa do Mundo. 

A matéria assinada pela jornalista brasileira Vanessa Barbara, faz crítica pesadas à recepção brasileira. "Mas, com a aproximação do evento, o sentimento geral entre os meus compatriotas é de descrença, como se alguém estivesse aguardando uma tartaruga voar ou explicar a equação de Schrödinger. O sentimento predominante é capturado pela expressão "Imagina na Copa ..." - Imagine que durante a Copa - falado cada vez que vemos uns 112 quilômetros de extensão de engarrafamento, um aeroporto superlotado ou o aumento dos preços dos hotéis e voos. Se as coisas já estão ruins, imagine o que vai ser durante a Copa do Mundo", diz o texto da jornalista.

Segundo Barbara, tal pessimismo é comum às vésperas de grandes torneios, porém os brasileiros são "especialmente apocalíptico" nas expectativas. "Nós pertencemos a um país onde a corrupção custa 28,7 bilhões dólares para 47,7 bilhões dólares por ano, segundo estimativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, que é de 1,4% do produto interno bruto em 2010. Temos infra-estrutura precária e grave desigualdade social. Nós nos preocupamos com a violência do tráfico de drogas e crime organizado - no mês passado, uma quadrilha de São Paulo ameaçou desencadear 'uma Copa do Mundo de terror' se o governo não concordar com suas exigências", destacou ela.