Jornal do Brasil

Domingo, 19 de Novembro de 2017

Internacional

ONU quer ação para fim da violência contra mulheres indígenas no mundo

Rádio ONULeda Letra

Um novo estudo das Nações Unidas ressalta que a violência contra meninas e mulheres indígenas é pouco discutida e velada na maioria dos países. O levantamento foi divulgado pelo Fundo da ONU para a Infância (Unicef), o Fundo para População (Unfpa), a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a ONU Mulheres.

As agências pedem ação para o fim das violações dos direitos humanos contra mulheres de comunidades indígenas. Para a ativista Vega Ortega, já é um "grande passo reconhecer o problema e discutir o assunto". 

No lançamento do relatório, em Nova York, ela contou que os povos indígenas sofrem com "exclusão, pobreza e migração", além de serem "ignorados e discriminados".

Baseado em informações sobre a África, Ásia e América Latina, o estudo mostra que a violência contra as indígenas é intensificada pelo histórico de dominação colonial, exclusão política e econômica e a falta de serviços básicos. 

Em sete países da América Latina, incluindo o Brasil, 36% da população indígena, menor de 18 anos, não têm acesso adequado à água potável. A região abriga cerca de 50 milhões de indígenas, espalhados por 642 comunidades, sendo a maioria na Bolívia, no Equador, na Guatemala e no México.

Na Bolívia, onde 62% da população é indígena, 29% das mulheres de 15 a 49 anos da cidade de Potosí já sofreram violência física ou sexual do parceiro. O relatório traz depoimentos de uma comunidade indígena boliviana, onde meninas foram enviadas para a cidade com a promessa de que iriam estudar. Mas muitas voltaram grávidas ou nem retornaram.

Para o Unicef, o estudo destaca a urgência em reconhecer as várias formas de violência contra meninas e mulheres indígenas, incluindo abusos domésticos, conflitos e exploração. Na Guatemala, 65% das trabalhadoras domésticas são indígenas, trabalhando até 14 horas por dia e sofrendo risco de abuso sexual e físico.

As indígenas enfrentam ainda negligência, exploração, tráfico humano, trabalho forçado e escravo. O relatório explica que essa violência contribui para traumas, baixa estima, saúde precária e baixo rendimento escolar.

Esses fatores são muitas vezes associados a casos de depressão, abuso de álcool e drogas, autoflagelo e suicídio.

O estudo recomenda reforço das leis que proíbem todas as formas de violência, além de priorizar a prevenção, com ações nas comunidades que incluam a participação de homens e meninos.

Tags: Nações, Organização, Unidas, abusos, índias

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