Guatemala - A Corte de Constitucionalidade da Guatemala anulou a condenação a 50 anos de prisão por genocídio e 30 anos por crimes contra a humanidade contra o ex-ditador Efraín Ríos Montt e reabriu o processo contra ele.
Ríos Montt foi condenado a 80 anos de prisão, em 10 de maio passado pela morte de mais de 1770 membros da etnia Maya-Ixil durante o seu governo (1982-83), mas a Corte Constitucional do país não aceitou a sentença devido a algumas irregularidades formais e retrocedeu o processo para o dia 19 de abril, data na qual houve uma disputa entre dois juizes comprometidos no processo.
O ex-militar, de 86 anos, deverá voltar a ficar em prisão domiciliar, como medida substitutiva. Dezenas de familiares se dirigiram ao Hospital Militar onde está Ríos Montt, por problemas de saúde após enfrentar o julgamento. Entretanto, a Cúpula Empresarial manifestou sua satisfação com a anulação judicial por considerar que fortalece o devido processo no país. O presidente da Coordenadoria de Associações Agrícolas, Comerciais, Industriais e Financeiras (CACIF), José Santiago Molina, considerou que a resolução contribui para fortalecer o devido processo, já que o desenvolvimento do julgamento apresentava uma série de irregularidades que não era procedente emitir um veredicto, tal como fez a juíza Jazmín Barrios. O empresário disse que a imagem da Guatemala fui muito negativa internacionalmente.
"Esta imagem teria repercussões negativas no futuro para o país e o que a Guatemala necessita é investimento e geração de emprego", afirmou. A entidade defende que não houve genocídio na Guatemala, concluiu Molina. O ex-militar, Mauricio Rodriguez Sánchez, quem também foi julgado e absolvido pelos mesmos crimes, terá que enfrentar o julgamento novamente. Sánchez foi chefe da Inteligência Militar durante o governo de Ríos Montt. O conflito armado interno afetou a Guatemala durante 36 anos (1930-1996), ao menos 200 mil pessoas morreram.