Faltando menos de um mês para as eleições presidenciais nos Estados Unidos, o clima entre os eleitores de Nova Iorque ainda é de cautela em relação ao resultado nas urnas. Há mais de vinte anos o estado tem escolhido candidatos democratas para a presidência e em 2012 pesquisas indicam que a tendência seguirá, com ampla margem de preferência para Barack Obama. Porém, depois do primeiro debate entre o atual presidente e o candidato republicano Mitt Romney, os nova-iorquinos aguardam apreensivos o resultado do pleito, que acontece no dia 6 de novembro.
Isto porque analistas e eleitores que acompanharam a transmissão concordam que a postura tímida e defensiva do democrata favoreceu em muito o até então apagado Romney, que de forma segura e assertiva conseguiu dominar as discussões. Depois do embate, pesquisas mostraram ganho substancial do republicano na preferência do eleitorado. Segundo uma pesquisa Gallup divulgada na segunda (8), Obama perdeu os 5 pontos de vantagem que mantinha em relação a Romney, que agora está empatado com o democrata em 47% das intenções de voto. Sondagem da Reuters/Ipsos realizada no último domingo (7) aponta o mesmo número.
"Infelizmente, os americanos não pensam em um cenário como um todo. Eles ficam com essa imagem visual do candidato que foi forte e seguro no debate, apesar de ter sido impreciso em vários momentos" reclama o técnico em cenários Nick Monroy, de 29 anos. Para ele, falta profundidade do eleitorado americano na hora de avaliar os candidatos. "Muitas pessoas acabam votando no candidato que aparenta ser o mais forte ao invés do que é efetivamente melhor".
Poucos poderiam prever esta reviravolta. Até o debate, a vitória de Obama parecia selada. Apesar da recuperação lenta da economia e a geração tímida de empregos nos últimos meses, o candidato se beneficiava da falta de carisma de seu adversário. Mórmon (religião pouco aceita no país), com uma fortuna avaliada em U$ 300 milhões e postura aristocrática, Romney não conseguia convencer o eleitorado de suas habilidades para levantar a economia. O estilo de vida milionário não combinava bem com um candidato que dizia "entender" a população.
Além disso, a divulgação de um vídeo, em setembro, em que Romney menospreza os "47% da população dependente dos benefícios do governo" parecia ter enterrado de vez as chances do republicano de vencer o pleito.
Porém, neste novo cenário, os eleitores de Obama se mostram inseguros com o futuro das eleições. Em meio a trabalhos temporários e dificuldades de conseguir um salário fixo mensal, Monroy, morador do Queens, um dos grandes redutos latinos da cidade, ainda acredita em uma retomada econômica pelas mãos de Obama. "Ele pegou um cenário muito ruim, o republicano Bush piorou muito a vida de todo mundo".
Otimista, o produtor Chris Bell, de 29 anos, acredita que o democrata está guardando as "melhores armas" para os próximos dois debates. "Eleição é como uma guerra, você apanha primeiro para desgastar seu adversário e depois ataca, acho que está é a estratégia do Obama. Pelo menos é o que espero", analisa.
Para Bell, os temas polêmicos que dominaram as discussões eleitorais, como aborto, casamento gay e imigração não devem ter peso fundamental nos resultados. "Acho que no final vai ser mesmo a economia e a melhora na vida das pessoas que vai contar, e eu acho que nestes aspectos, o Obama tem muito mais a oferecer", acredita.
Além das propostas, a apresentação e postura dos candidatos no debate parece angariar importantes pontos percentuais nas intenções de voto. Os próximos confrontos, que deverão definir o rumo das eleições, acontecem nos dias 16 e 22. Antes disso, no próxima quinta-feira (11) haverá ainda o primeiro e único encontro entre os vice-presidentes, o democrata Joe Biden e o republicano, Paul Ryan.