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Advogado fala em 'complô' contra Strauss-Kahn

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Um dos advogados de Dominique Strauss-Kahn disse nesta sexta-feira que não descarta que seu cliente tenha sido vítima de um "complô para destruí-lo politicamente" quando foi detido por suposta tentativa de estupro de uma camareira de hotel em Nova York.

O advogado americano William Taylor cita uma investigação que será publicada pela revista New York Review of Books e que revela "sérios questionamentos" sobre o comportamento dos responsáveis do hotel Sofitel de Manhattan, onde ocorreu o incidente com Strauss-Kahn.

"A partir de agora já não podemos excluir que Dominique Strauss-Kahn tenha sido alvo de um complô para destruí-lo politicamente", afirmou Taylor.

A investigação, do jornalista Edward Jay Epstein, revela que o telefone BlackBerry de Dominique Strauss-Kahn foi grampeado e que "várias fontes ligadas" ao então presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI) lhe avisaram que suas mensagens para a esposa, Anne Sinclair, estavam sendo monitorados pelo partido do presidente francês, Nicolas Sarkozy.

O jornalista destaca que o telefone em questão, que desapareceu no Sofitel de Manhattan, jamais foi encontrado "pela polícia ou por detetives particulares" contratados pela defesa de Strauss-Kahn.

A investigação também cita uma estranha comemoração de Brian Yearwood, chefe dos serviços técnicos da Sofitel, gravada por uma câmera de vigilância após o testemunho da camareira contra Strauss-Kahn.

O jornalista destaca ainda o testemunho da camareira, Naffissatou Dialo, de 32 anos, sobre o fato de que seu cartão eletrônico foi utilizado várias vezes, antes de depois do suposto estupro, para entrar no quarto 2820, localizado no mesmo andar da habitação de Strauss-Kahn no Sofitel.

Em seu primeiro depoimento, Dialo omitiu à polícia sua presença no quarto 2820.

Até o dia 14 de maio passado, Strauss-Kahn era o grande favorito à indicação socialista para enfrentar o presidente conservador, Nicolas Sarkozy, nas eleições de 2012.

Após quatro meses de liberdade condicional, Strauss-Kahn teve o caso encerrado e pôde voltar à França, mas sua carreira política estava irremediavelmente manchada pelo incidente.