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Falta de dinheiro obriga o WikiLeaks a suspender suas atividades

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O site WikiLeaks, que deixou em maus lençóis o governo de Washington, após a divulgação de documentos diplomáticos confidenciais, foi obrigado, nesta segunda-feira, a "suspender" suas atividades de publicação de informações, por falta de recursos.

Isto se deve, principalmente, ao bloqueio de suas contas imposto, principalmente, pelos cartões de crédito Visa e Mastercard.

"Para garantir a sobrevida, o WikiLeaks é obrigado, hoje, a suspender temporariamente suas atividades de divulgação", devendo lançar-se numa "coleta ativa de recursos para responder à situação", anunciou o fundador do site na internet, Julian Assange, durante entrevista à imprensa, em Londres.

O "bloqueio financeiro arbitrário e ilegal", imposto desde dezembro de 2010 por Bank of America, Visa, Mastercard, Paypal e Western Union, "destruiu 95% de nossos rendimentos", afirmou Assange, destacando que o boicote entrou em vigor "nos dez dias" posteriores ao início da publicação dos telegramas secretos americanos.

Ele acusou os Estados Unidos de estarem por trás da iniciativa dos ataques bancários, que privaram a organização de "dezenas de milhões de dólares em donativos" nos últimos onze meses.

Esses donativos ao WikiLeaks de "mais de 100 mil dólares por mês" (72 mil), antes da decisão do Visa e do Mastercard, foram para "6 mil ou 7 mil dólares" atualmente, afirmou o porta-voz do site, Kristinn Hrafnsson.

"O bloqueio financeiro ameaça a própria existência do WikiLeaks. Se não houver uma solução, até o final do ano, a organização não poderá mais continuar seu trabalho", preveniu Assange, lembrando ter entrado com uma queixa, em julho, junto à Comissão europeia de violação das regras da concorrência.

"Um grupo de empresas financeiras americanas não pode ser autorizado a decidir sobre a maneira de o mundo inteiro aplicar seu dinheiro", denunciou.

O anúncio nesta segunda-feira do WikiLeaks contradiz declarações de Assange na semana passada durante uma videoconferência com Lima, quando afirmou que seu site estava numa forte "situação financeira" e que tinha, ainda, "milhares de revelações" a fazer.

O WikiLeaks, lançado em 2006, esteve na primeira página mundial pelas informações divulgadas, em especial os abusos do exército americano em Bagdá, publicando, ainda, relatórios confidenciais do exércio americano sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, o que irritou profundamente Washington.

Mas foi a divulgação, a partir do final de novembro de 2010, de milhares de telegramas diplomáticos americanos que fez de Assange uma figura não desejável dos Estados Unidos.

Após as revelações, que lhe valeram por um tempo o apoio de jornais prestigiosos, em nome da liberdade de informação, WikiLeaks passou mais recentemente a conviver com desvios e ressentimentos, que culminaram com o anúncio desta segunda-feira.

O site havia divulgado no início de setembro, na íntegra, 251.287 telegramas diplomáticos americanos confidenciais, sem poupar os nomes de pessoas suscetíveis de serem importurnadas - uma decisão que lhe valeu uma condenação unânime dos jornais que fizeram parcerias com o WikiLeaks, preocupados com as fontes em perigo.

No plano pessoal, Assange acumula também uma série de episódios de má sorte. Ele é perseguido pela justiça sueca, que quer interrogá-lo sobre um caso de estupro e agressão sexual presumível, datado de agosto de 2010.

Obrigado a permanecer em sua residência na Grã-Bretanha, o australiano de 41 anos espera, para breve, uma decisão em apelo da justiça britânica sobre sua eventual extradição para a Suécia.