Ataques da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a Sirte realizados na última noite deixaram 354 mortos, informou neste sábado o principal porta-voz do ditador Muammar Kadafi à Reuters. De acordo com o representante Moussa Ibrahim, "mais de 30 foguetes" foram disparados contra prédios residenciais e um hotel. "O resultado são mais de 354 mortos, 89 desparecidos e quase 700 feridos em uma noite", disse à agência.
A intervenção da Otan é mantida na Líbia mesmo após a tomada da capital Trípoli, considerada território fundamental na derrocada do governo de Kadafi. No atual estágio do conflito, os rebeldes procuram consolidar a tomada do país com avanços a cidades de maior concentração das forças do coronel. Sirte, cidade natal do ditador, sofreu nos últimos dias uma nova investida dos rebeldes, de cujo terrotório os rebeldes hoje afirmaram já ter controle. "Nos útimos 17 dias, mais de 2 mil residentes de Sirte morreram em ataques da Otan", completou Ibrahim à Reuters.
O porta-voz garantiu que Kadafi permanece na Líbia e permanece coordenando a ação de seu exército na resistência ao avanço dos rebeldes, que já tomaram a maior parte do país. "Ele lidera a luta de todas as formas. Fala com as pessoas, dá palestras, discute, procura por todos os meios de resistência", afirmou. "Teremos condições de continuar esta luta e possuímos armas suficientes para meses e meses por vir", garantiu o representante, que há algumas semanas guiava os jornalistas nas visitas por uma Trípoli ainda controlada pelas forças de Kadafi.
Líbia: da guerra entre Kadafi e rebeldes à batalha por Trípoli
Motivados pelos protestos que derrubaram os longevos presidentes da Tunísia e do Egito, os líbios começaram a sair às ruas das principais cidades do país em fevereiro para contestar o coronel Muammar Kadafi, no comando desde a revolução de 1969. Rapidamente, no entanto, os protestos evoluíram para uma guerra civilque cindiu a Líbia em batalhas pelo controle de cidades estratégicas de leste a oeste.
A violência dos confrontos gerou reação do Conselho de Segurança da ONU, que, após uma série de medidas simbólicas, aprovou uma polêmica intervenção internacional, atualmente liderada pela Otan, em nome da proteção dos civis. No dia 20 de agosto, após quase sete meses de combates, bombardeios, avanços e recuos, os rebeldes iniciaram a tomada de Trípoli, colocando Kadafi, seu governo e sua era em xeque. Na dia 23 de agosto, os rebeldes invadiram e tomaram o complexo de Bab al-Aziziya, em que acreditava-se que Kadafi e seus filhos estariam se refugiando, mas não encontraram sinais de seu paradeiro. De acordo com o CNT, mais de 20 mil pessoas morreram desde o início da insurreição.