Há uma década, o nome Osama bin Laden era constantemente ouvido nas capitais do mundo árabe: ele era líder, sheik e até herói para muitas pessoas. Mas, depois de sua morte, o homem que prometeu a liberdade ao mundo árabe foi reduzido a uma simples nota de rodapé no livro das revoluções que estão acontecendo em alguns países da região que ele “defendia”.
Ontem, as reações à morte de Osama no Oriente Médio foram as mais diversas: desde raiva nos locais mais conservadores do Líbano ao regozijo entre os muçulmanos xiitas do Iraque, vítimas da carnificina ocorrida em nome da Al-Qaeda.
Mas a reação mais notável deu-se em países como Tunísia e Egito, onde seu nome é o eco do passado, dividido entre Ocidente e Oriente, entre onipotência americana e impotência árabe. Nos últimos meses, parecia que as únicas pessoas a citarem o nome de Osama eram os porta-vozes dos poderosos, como Moammar Kadafi e Hosni Mubarak, que evocavam as ameaças da Al-Qaeda para justificar o apego ao poder em um mundo árabe que hoje pouco se parece com o cenário que ele ajudou a criar.