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Cidade do pai de Dilma na Bulgária tem Carnaval e museu do humor

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Gabrovo - Se um dia a presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, decidir conhecer Gabrovo, terra natal de seu pai e sua família na Bulgária, a petista não vai encontrar muitos encantos, mas ao menos uma diversão certa: o Museu do Humor e da Sátira. Há quase 40 anos, a cidade decidiu transformar em negócio o conhecido senso de humor de seus habitantes, que adoram debochar sobretudo de outra fama de Gabrovo, a de que seus habitantes são avarentos.

O "pão-durismo" dos gabrovianos sofre um golpe logo na entrada do museu, que saúda os visitantes com uma placa de "bem vindos...e mal vindos". "Quanto mais tempo uma visita fica na casa do gabroviano, mais ele precisa gastar com o convidado, oferecendo café, bolachas e mesmo desperdiçando mais luz", brinca a guia Stephka Boeva. Pela mesma razão, o principal produto souvenir de Gabrovo é uma taça de café com proteção para o bigode - para que o usuário não suje a boca e, portanto, não precise de guardanapos. Outra piada que virou símbolo da cidade é a espinha de peixe, afinal, gabroviano que se preze não gasta com palitos de dente: usa os restos do peixe para limpar os dentes após as refeições.

Mas a grande atração do museu são mesmo os gatos, o mascote da cidade. Uma das primeiras piadas satirizando a avareza da população do município diz que, para economizar no aquecimento da casa no inverno, o gabroviano corta o rabo do seu gato para que ele passe mais rápido pela porta, e assim evite a entrada de ar frio na peça. A brincadeira pegou de tal forma que o gato de rabo cortado virou o símbolo de outro atrativo da cidade, o Carnaval de rua à espera da primavera.

Na ocasião, que acontece no terceiro sábado de maio, os moradores se fantasiam e vão às ruas festejar e dançar músicas folclóricas. O desfile é aberto por um gato gigante, cujo rabo é cortado pelo prefeito no início das festividades. Todo o ano, o carnaval de Gabrovo reúne cerca de 30 mil pessoas, a metade da população da cidade. "Não podemos comparar o nosso carnaval com o do Brasil, mas ainda assim, é uma grande festa popular e muito divertida", disse o prefeito da cidade, Nikolay Sirakov.

Ainda no Museu do Humor, um imenso gato em bronze promete realizar o seu sonho - mas apenas um - se você colocar uma moeda no seu pescoço e segurar no seu rabo enquanto mentaliza o desejo. Ao longo do trajeto distribuído em quatro andares, o visitante ainda conhece a história do humor na cidade - que remonta ao século XVII - e pode passar horas se divertindo com as tiras de humor ou mesmo quadros recheados de ironias.

Apesar da fama de piadistas dos gabrovianos, por enquanto, a brasileira Dilma Rousseff ainda não virou inspiração para os habitantes da cidade búlgara. "Ainda não ouvi nenhuma piada relacionada a ela. Mas pode ter certeza de que não vai demorar", disse Boeva.

Turismo 

Já nas ruas da cidade, que fica encravada entre as montanhas dos Bálcãs, no coração da Bulgária, as opções de turismo são mais restritas. A praça principal abriga uma igreja, os órgãos oficiais do município, como a prefeitura, e ganha um charme especial com as árvores amareladas no outono.

Conhecida no início do século passado como a "Manchester do leste europeu" por causa de sua poderosa indústria têxtil da época, hoje o apelido não faz mais jus à realidade. Mergulhada em uma recessão sem fim, Gabrovo empobreceu, o que se reflete também na manutenção das ruas e dos monumentos.

Como toda a região leste da Europa, a economia da cidade também sofre com os recursos escassos e a dificuldade em sair da crise financeira. A situação econômica desfavorável é visível antes mesmo de se chegar na cidade: as estradas que levam a Gabrovo partindo da capital Sófia são mal cuidadas, mas a paisagem de montanhas ajuda a desviar a atenção da situação precária das rodovias.

Apesar das limitações, os habitantes do município provam que conseguem fazer humor até mesmo nos momentos ruins. "O riso é a moeda mais estável do mundo" foi a dica de um conhecido humorista da cidade, Radoi Ralin, para que os gabrovianos enfrentem os problemas financeiros. Os naturais de Gabrovo ainda dizem que são os "campeões mundiais de tirar proveito do nada", já que o solo da cidade não é fértil para o plantio, mas mesmo assim foi possível desenvolver alguma agricultura na região.