Jornal do Brasil

Domingo, 30 de Abril de 2017

JB Premium - Internacional

Cineasta engajada e inspiradora

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-->Iara Lee, a brasileira que estava na Flotilha da Liber dade, vê ativismo político na cultura-->Evelyn Soar es-->Cinema e engajamento políti- co: esta é a combinação que a inspir ada – e inspir ador a – cineas- ta Iar a Lee le v a par a as telas com o filme -->Cultur es of r esistance -->, em e xibição no F esti v al do Rio . Br asileir a de certidão , Iar a é, na v e r dade, uma cidadã do m u n- do que luta pelos desf a v or ecidos. Suas armas? A câmer a na mão e o sentimento de que, atr a vés da r e - sistência pacífica, o m undo pode ser m udado . – T anto é que o slo gan do filme é uma fr ase de Gandhi: “Seja a m udança que v ocê quer” – lembr a a cineasta. Mas Iar a é cineasta ou ati vista? – Sou mais ati vista que cineas- ta. O cinema é só um v eículo par a o m eu ati vismo . Se eu não usar o cinema par a o ati vismo , nem fico mais inter essada nele. Essa v ocação par a enxer gar nas artes e na cultur a uma m u- dança política (tema apr esentado no filme) f oi lapidada em 2003, quando os Estados Unidos in v a - dir am o Ir aque. – Já tinha feito dois filmes an- tes, -->Modulations -->e -->Synthetic plea- sures -->, que f ala v am da r e v olução na vida das pessoas oprimidas atr a vés da música. De r epente, vi que a cultur a tinha esse potencial de pr omo v er paz, justiça, liber- tação da opr essão . E desde então não par ou mais. Iar a já filmou em 25 países nesses últimos anos, e os r esultados de seus r egistr os podem ser vistos no F es - ti v al do Rio hoje, às 20h, no Espaço de Cinema 3, em Botaf o go . Essa “colc ha de r etalhos”, mostr ando si - tuações-limite em Burma, no Líba - no e até mesmo no Br asil, encontr ou obstáculos nos Estados Unidos. A indústria cinemato g ráfica queria barr ar os tr ec hos do filme que a bor - da v am sobr e Isr ael e Irã. – T enho 15 anos de Estados Unidos. P ela negati vidade da po- Segunda Guerr a Mundial (70 mi - lhões). As mortes f or am causadas pela cobiça ao miner al coltan. – Estupr os vir ar am arma de guerr a, e ninguém olha par a lá.-->Evolução brasileira-->Mor ando em No v a Y or k desde os anos 80, Iar a obser v ou que a política br asileir a amadur eceu quando um metalúr gico c hegou à Pr esidência. – Lula ajudou os pobr es, não em - bolsou o dinheir o , como os outr os fiz er am. F oi tão bom que há a pos - sibilidade de uma e xtensão , onde v amos ter uma m ulher no poder – diz Iar a, mesmo sem poder v otar (seu colégio eleitor al é em São P aulo). Um dia antes da eleição , ao r e - ce ber a r eportagem do JB, ela não esconde a pr eferência pela can - didata petista Dilma Rousseff . – V amos na Dilma par a v er se o Br asil contin ua nessa estr ada de e v olução , de independência e do populismo . Com o filme, Iar a quer instigar nos br asileir os a v ontade de apr ender e lutar . Mas algumas pessoas r eclamam que ela não tem planos de tr a balho no país: – Sou uma pessoa que vê o m u ndo de maneir a global. Sou br asileir a, de pais cor eanos, com cor ação pa - lestino e que mor a no Afeganistão . Arr ependimento de algo? – Só do que não fiz. E queria que o dia ti v esse mais 24h par a poder f az er ainda mais.-->Sou brasileira, de pais cor eanos, com coração palestino e que mora no AfeganistãoIara LeeCineasta e ativista política-->“-->NOV A MORADA -->– Do Rio, Iara vai viajar para o Congo e depois fixará r esidência em Cabul, no Afeganistão-->lítica e xterior de lá, me sinto na obrigação de f az er alguma coisa positi v a, de ajudar as vítimas des- sa ocupação americana. A r eação e xplicita o pr otecionis - mo americano a Isr ael, país ao qual Iar a não poupa críticas. Ela er a a única br asileir a que esta v a na Gaza F r eedom Flotilla, g rupo de embar - cações atacado pelo e xér cito isr ae - lense em águas internacionais no dia 31 de maio . – A flotilha é uma contin ua - ção da cultur a de r esistência: da mesma maneir a que v ocê usa a dança, a música, a f oto g r afia, esta também é uma maneir a criati v a de confr ontação . Sobr e a negociação de paz me- diada pelos americanos, Iar a é categórica: – Ouv e-se f alar em paz, mas não pode ser só isso . T em que f alar também de justiça. Selar um acor do que v ai oprimir o pales- tino não é de paz.-->Próximos destinos-->O próximo set de filmagem será no Afeganistão , de onde aca bou de c hegar . A vi vência de um mês em Ca bul e as visitas às pr o víncias pró - ximas mostr ar am que a ocupação das tr opas americanas e da Or ga - nização do T r atado do Atlântico Norte (Otan) não são de libertação . P ar a as filmagens, Iar a v ai fixar r e - sidência em Ca bul por um ano . – É m uito barr a pesada a situação das m ulher es e das crianças, que são com quem mais tr a balho . Não dá pr a ficar pouco tempo lá. Antes (daqui há dois dias), o campo de batalha da cineasta será no Congo . Iar a v ai par a o país que, em uma década, r egistr ou a morte de quase 6 milhões de pessoas. Em númer o de mortos, só per de par a a-->inspiradora

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