Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Informe CNC

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o comércio de bens, serviços e turismo.

Saques nas contas do FGTS injetaram R$ 10,8 bi no varejo

Informe CNC

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostra que os recursos decorrentes dos saques nas contas inativas do FGTS geraram um impacto positivo de R$ 10,8 bilhões nas vendas do comércio varejista brasileiro entre os meses de março e julho deste ano.

No acumulado de março a julho, esse valor correspondeu a 25% do montante sacado (R$ 44 bilhões, segundo informações preliminares da Caixa Econômica Federal). Esses R$ 10,8 bilhões mensurados pela entidade equivalem a 1,4% das vendas do varejo no período. Quatro dos oito segmentos do varejo positivamente impactados pela disponibilidade dos recursos oriundos do Fundo responderam por 86% dos recursos que se destinaram ao consumo no comércio, a saber: vestuário e calçados (R$ 4,1 bilhões), hiper e supermercados (R$ 2,8 bilhões), artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 1,3 bilhão) e móveis e eletrodomésticos (R$ 1,2 bilhão).

Do total de R$ 44 bilhões sacados das contas inativas entre março e julho deste ano, 25% chegaram ao varejo
Do total de R$ 44 bilhões sacados das contas inativas entre março e julho deste ano, 25% chegaram ao varejo

Otimismo cauteloso

Para a CNC, embora os recursos oriundos dos saques nas contas inativas do FGTS venham cumprindo papel relevante na reativação do consumo de bens no Brasil, a recuperação parcial do varejo ao longo de 2017 se insere em um quadro mais amplo de desaceleração dos preços e melhoria das condições de crédito. Segundo a entidade, a consolidação da recuperação do setor como um todo passa, contudo, pela necessária reativação do nível geral de atividade econômica e seus reflexos benignos sobre as condições do mercado de trabalho.

Fabio Bentes, economista-chefe da Confederação, explica que, apesar da ligeira melhora na performance anual do varejo, a recuperação parcial das vendas ao longo deste ano não se deve, exclusivamente, ao impacto dos recursos provenientes das contas inativas do FGTS sobre as vendas. “Ela se insere em contexto mais amplo de resgate das condições de consumo caracterizado por quedas sucessivas dos preços médios praticados por alguns segmentos do varejo, além do recuo no valor das prestações nas operações de crédito voltadas para as pessoas físicas nos últimos meses”, afirma Bentes.

Vestuário e calçados lideram recuperação do varejo

Com altas significativas em relação ao mesmo período do ano passado, o ramo de vestuário e calçados se destaca no processo de recuperação do varejo em 2017. Na comparação do primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado, o avanço do volume de vendas nesse segmento tem sido o mais expressivo entre os 10 ramos que compõem o varejo no conceito ampliado da PMC que apurou alta de 0,3%.

Já o ramo de lojas de móveis e eletrodomésticos avançou 5,9% no primeiro semestre do ano. Mesmo considerando o fraco desempenho das vendas em abril (-0,1%, na comparação com o mesmo mês de 2016), o segundo trimestre de 2017 foi o melhor (+8,8%) percebido por esse segmento desde o período compreendido entre julho e setembro de 2013 (também +8,8%).

Valor médio das parcelas de empréstimos recuou

De forma complementar à evolução mais favorável dos preços, o recuo no valor médio das prestações de empréstimos e financiamentos contraídos pelas pessoas físicas tem favorecido a reação das vendas em segmentos mais dependentes das condições de financiamento. De acordo com cálculos realizados pela CNC, considerando-se a taxa e os prazos médios vigentes das operações com recursos destinados às pessoas físicas, houve recuo nominal de 7,8% no valor médio das parcelas dos empréstimos e financiamentos contraídos nos últimos 12 meses. Segundo dados do Banco Central, nos quatro últimos meses houve avanços na concessão de crédito com recursos livres destinados aos consumidores – fato inédito desde outubro de 2014.

Veja aqui a análise completa.

Tags: calçados, cnc, empréstimos, levantamento, recuo, recuperação, varejo, vestuário

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