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As Filhas de Gaia foi a primeira grife a desfilar no segundo dia desta edição do Fashion Rio, apresentando uma coleção que transitava entre o novo e o velho, reeditando peças de um repertório retrô no modernismo chique que a marca curte fazer. As sócias e estilistas Marcela Calmon e Renata Salles apostaram em jabôs, chemises, calças cigarretes, hot pants, comprimentos midi, saias sereia e godês, em um resultado que ficou com um quê de lady like, mas com babados, transparências e recortes que davam uma leitura meio cartoon. Berm agradável de se ver.
Um pouco mais tarde, o pernambucano Melk Z-Da, bamba na arte dos bordados e aplicações delicadas, desfilou no Salão de Apostas do Jockey Clube. O tema? Um orquidário que perambulava pelo desejo de uma coleção sustentável, a começar pelo convite, criado em papel artesanal, feito com sementes de erva doce, camomila, manjericão e agrião, entre outras. Pelo que dizia o release entregue pela marca, se o convite for plantado - literalmente! - em um prazo de quatro a cinco meses, teremos flores e ervas para o chá. Delirium tremens fofo? Não, isso, no fundo, é a cara do Melk, que faz roupa moderna, conceitual, bem criativa. Daí para uma elocubração como plantar um convite, tudo a ver! Pelo menos para quem viajou na maionese orgânica, feita obviamente em casa sem aditivos. Afinal, ele desenvolveu uma coleção tendo como pano de fundo a sustentabilidade. Podemos até, a partir de agora, imaginar que os grandes chefs de cuisine possam criar menus que se transformem, quem sabe, no próprio prato a ser degustado. Por que não, né, gente? Silhuetas ajustadas, transparências, bordados florais, algumas dobraduras, toques de brilho, calças amplas, saias lápis e cinturas marcadas fizeram parte do repertório da coleção, onde belos transfers metálicos e recortes a laser pontificaram em cores como tomate, laranja, magenta, púrpura e branco-pólen. Como nas corolas das tais orquídeas. Poético, não?
O que também sobressaiu mesmo neste segundo dia do evento foi o espírito de balneário chique em coleções de moda-praia. A Totem, grife de Fred D'Orey, surfa sempre na direção da onda carioca. Surfista desde quando já se entendia por gente, Fred costuma ser fiel ao lifestyle da sua clientela, que curte as ondas do Havaí, Bali e Califórnia ou, simplesmente, dá um rolé pelo calçadão do Rio. A marca, atualmente com direção criativa de Yamê Reis, não abriu mão desta premissa, mas sofisticou em materiais e até renovou os grafismos na direção do asfalto, tirando um pouco o pé das areias escaldantes. Teve até top com short caleçon em paetês azuláceos. E, entre tudo que foi desfilado, transparências em tecidos nobres e trincas de cores como caramelo, azul e coral ou caramelo, laranja e branco refrescaram as estampas gráficas que fazem parte do DNA da Totem. Cool!
Já a Salinas, como sempre, fez um show impecável, adorável, arrebatador! Se fosse uma ópera, eu gritaria "bravo"! Como não é, me limitei a saborear aquilo que foi apresentado, mas com vontade de rodopiar na plateia, da mesma forma como Alessa costuma fazer na passarela, no final dos seus desfiles. Tendo como tema o Brasil da multiplicidade cultural e racial - tudo a ver, quer coisa mais democrática do que a praia? -, a grife de Jaqueline de Biase navegou pelas costas africana, oriental e brasileira. O resultado trouxe o estilo étnico como base para o mix de grafismos e detalhes gostosos que sempre esperamos ver nos desfiles da grife. Com destaque para as maxi pulseiras, chapéus e viseiras criados pela artista plástica Claudia Savelli a partir daquele nylon de cadeira de praia. Vichys, cascatas de babados e lacinhos, muitas vezes com caimento que lembrava uma leitura japa, arrematavam estampas étnicas, entre elas uma de abacaxis foférrima, usada, entre outras peças, no maiô que Ana Claudia Michels vestiu para puxar a fila final. Puxa, puxa, puxa, que peça incríveeeeeeel!
A Cia. Marítima estreou no line up do Fashion Rio fazendo o oposto da Salinas, mas com desenvoltura de igual qualidade. Ao invés de uma coleção fofucha, a marca de moda praia da Rosset investiu no estilo mulherão com uma coleção poderosa e sensual, incorporada por um time de tigresas de fazer inveja, entre elas Izabel Goulart, Carmelita, Viviane Orth e Shirley Mallman.Teve um pouco de tudo. Estampas de abacaxi, oncinhas, brilhos, policromias de paisagens tropicais, coqueiros. E lindas saídas esvoaçantes, em tecidos diáfanos, próprios para uma mulher que dá expediente em um barco chique, bebe champanhe e devora blinis de salmão com a naturalidade de quem espreguiça.
Fechando a noite, a TNG que, como de costume, trouxe a estrela da novela das nove para abrilhantar seu catwalk. Desta vez, Isis Valverde, a Suelen de 'Avenida Brasil', que envergou três looks entre os modelos masculinos e femininos. A coleção, repleta de jeanswear e alfaiataria, os pontos fortes da marca, veio muito bem e a edição de moda fez bonito. Estampas de paisagens tropicais e xadrezinhos, no estilo das décadas de 1950 e 1960 compareceram, com chemises, bustiês, vestidos, camisas e calças bacaninhas. E peças em alfaiataria muito bem talhadas, com destaque para os paletós usados com calça pescando siri dos rapazes. Tudo bem jovem, embalado por uma cartela de cores, como azul, preto, branco e tonalidades clarinhas - abricó, pêssego, verde chá e rosê -, que ajudou a imprimir charme na fila final dos modelos.