Salgueiro encanta Avenida e entra na briga pelo título do Carnaval carioca!
Coluna aposta em disputa acirrada com a Vila Isabel, sem esquecer desfile emocionante da Mangueira
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Após a passagem estarrecedora da Vila Isabel, fechando o domingo na Sapucaí, o segundo e último dia de desfiles do Grupo Especial das escolas de samba do Rio de Janeiro despertava a seguinte pergunta: quem seria capaz de emocionar, pelo menos, tanto quanto a escola de Noel?
Pois então, em dado momento, entrou na Avenida o Salgueiro, mordido pelo erro capital que tirou seu título em 2011, para mostrar que, este ano, a história seria diferente. A Vila encontrou, então, um rival endiabrado para o duelo pelo título de grande campeã do Carnaval.
Confira o que a coluna achou sobre a performance das agremiações que atravessaram a Passarela do Samba nesta segunda-feira (20).
São Clemente
Desfile mais surpreendente do ano, a escola de Botafogo trouxe à Sapucaí um passeio delicioso pelo universo dos musicais, apostando em fantasias luxuosas e bem acabadas, além de balões no melhor estilo 'parada da Disney', trazendo personalidade à apresentação.
Cantando o samba alegremente, os componentes conseguiram arrancar do público uma bela reação, configurando aquele que, talvez, seja o desfile mais marcante da história da agremiação, que, em 2012, completa 50 anos de vida.
União da Ilha
Enredo arisco, que poderia cair na armadilha do clichê, a ponte entre Londres e Rio de Janeiro foi construída pela mão forte do carnavalesco Alex de Souza, trazendo à Marquês de Sapucaí suntuosidade e um detalhismo admirável em suas alegorias, traçando, apesar de jovem, um perfil interessante em seus trabalhos, remetendo-se ao barroco, herança direta de Rosa Magalhães.
O samba mediano foi levado com a competência usual de Ito Melodia e pela empolgação dos componentes da tricolor, outro elemento já costumeiro em suas apresentações. Uma noite em que a Ilha tentou, quem sabe, beliscar uma vaga no Sábado das Campeãs...



Salgueiro
A grande escola de segunda-feira, com um desfile compacto, empolgante e rigorosamente incrível no quesito estético e de desenvolvimento de enredo pelas mãos de Renato e Márcia Lage. O cordel encarnado levou o público ao universo árido do sertão, cercado pela magia do Carnaval. Trabalho incrível também da direção de harmonia da agremiação tijucana: o componente do Salgueiro cantou o samba com um gás que há muito não se via.
Atenção também para a bateria de mestre Marcão, impecável com sua levada de 'xote', sempre abrilhantada pela presença carismática da rainha Viviane Araújo. Nas arquibancadas, todos se renderam aos encantos daquela que é, certamente, a grande rival da Vila Isabel na briga pelo título de campeã do Carnaval2012.
Mangueira
Assim como em 2011, a Mangueira apostou na emoção para compensar determinadas falhas estéticas, como alegorias com acabamento problemático e fantasias mais modestas. E, mais uma vez, uma aposta certeira, especialmente na bateria, com uma 'paradona' de dois minutos e roda de samba com Alcione e Dudu Nobre arrepiando o público.
O enredo sobre o tradicional bloco do Cacique de Ramos trouxe uma aura forte de 'carioquice' ao desfile, que se tornou leve e divertido, por conta disso. Se não veio para levar a taça, a verde-e-rosa já escreveu mais uma página na História do Carnaval, com seu silêncio no Sambódromo ecoando na voz de milhares de pessoas ao seu redor.
Unidos da Tijuca
Criativo, porém morno: assim foi o desfile da escola comandada por Paulo Barros, homenageando o centenário de Luiz Gonzaga e apresentando fantasias luxuosíssimas, além de alegorias que reforçam o esforço do carnavalesco de se superar.
Na comissão de frente, inventividade que não conseguiu chocar como nos dois últimos anos, apesar do belo conceito de libertação da 'alma da sanfona'.
Com evolução perfeita e harmonia bem conduzida, vejam só, a Tijuca, escola que mais tem apostado na reação do público nos últimos tempos, talvez tenha tido uma das performances mais discretas, porém bem executadas tecnicamente, em 2012.
Grande Rio
Bela aposta para 2012, o enredo sobre superação tornou-se, na prática, uma sucessão de equívocos que retirou a tricolor da Baixada da briga pelo título. Muito por conta da falta de conexão entre os setores, despertando a sensação de total alienação sobre o que estava sendo apresentado. Em alguns momentos, soluções constrangedoras, como a fantasia em que se via escrito 'vício'. Subestimar a inteligência do público só não é pior do que menosprezar a capacidade de desenvolvimento de um tema. Tiro no pé do talentoso e jovem carnavalesco Cahê Rodrigues.

