Jornal do Brasil

Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

Heloisa Tolipan

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HT na TV: o oportunismo, de mãos dadas com o humor, dá as cartas no 'CQC'

Programa comandado por Marcelo Tas usufrui de 'polêmicas' para subir em um pedestal de superioridade que não condiz com a postura de alguns de seus integrantes do elenco

Por Pedro Willmersdorf

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Desde que surgiu, há 3 anos e meio, o 'CQC' vem levantando, involuntariamente, a seguinte dúvida: trata-se de um programa jornalístico, cuja função principal é informar, ou, na verdade, é uma atração de humor, cuja principal missão é nos fazer rir? Bem, há bastante tempo (e, principalmente, nos últimos 2 anos), Marcelo Tas e sua turma só tem conseguido nos constranger. Mais do que a si mesmos, por incrível que pareça. Mas, ao longo de sua carreira, sempre foi ligado à ideia do jornalismo de mãos dadas com o humor, sempre com foco nos políticos, suas aspas absurdas e condutas duvidosas. Uma estratégia louvável de informar e fazer rir, sem ultrapassar qualquer limite ético. Mas, ao montar um elenco de 'humoristas', em um programa semanal, parece que Marcelo meteu os pés pelas mãos.

A turma do 'CQC': jornalismo com humor é disfarce para soberba e sensação de impunidade midiática
A turma do 'CQC': jornalismo com humor é disfarce para soberba e sensação de impunidade midiática

A incorreção política pregada por integrantes como Danilo Gentili e Rafinha Bastos os transformou, diante da mítica 'opinião pública', em criaturas inabaláveis, ícones de um humor-verdade, sem papas na língua, sem medo, sem freios. Mas, felizmente, uma sociedade não funciona assim. O respeito mútuo é lei tácita que, se não é respeitada pelos políticos tão achincalhados pela trupe, também é burlada por Gentili, Bastos e afins.

O tal 'jornalismo + humor' do 'CQC' veste uma aura de superioridade, partindo do princípio que ali são ditas verdades que a população gostaria de dizer, mas não tem canal para tanto. Que assim seja, no caso dos políticos. Mas acreditamos nós que piadas racistas ou de cunho sexista não estejam no rol de pérolas que o 'povo brasileiro' gostaria de falar.

Até em momentos difíceis para o programa, como o mal-estar criado esta semana com uma piada inconveniente de Rafinha sobre a cantora Wanessa e seu bebê, Marcelo & Cia. conseguem soar soberbos e transformar uma falha grave em oportunismo barato, com troca 'fake' na bancada do estúdio (o rapazinho estará de volta ao ar dentro de duas ou três semanas) e foto publicada por Rafinha em que o mesmo aparece cercado de mulheres, como um pastiche de Charlie Sheen, enquanto o programa ia ao ar, nesta segunda (03/10).

Enquanto era 'substituído' na bancada do programa, Rafinha debochava: há limite para o mau gosto?
Enquanto era 'substituído' na bancada do programa, Rafinha debochava: há limite para o mau gosto?

O pedestal do qual o 'CQC' vê o mundo nada mais é do que um universo criado pelos mesmos e englobado pela tal 'opinião pública'. Na verdade, o que se passa ali, entre os homens de ternos pretos, é humor a qualquer a preço. E, agora, em nova faceta, de mãos dadas com o oportunismo barato. Destaque na mídia acima de tudo, custe o que custar.

por Pedro Willmersdorf

colunaheloisatolipan@gmail.com

Tags: Wanessa, band, cqc, danilo gentili, heloisa tolipan, marcelo tas, polêmica, rafinha bastos

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