Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


O caminho das pedras 

Jornal do Brasil

O grupo do Vasco na Libertadores é o mais difícil. Não há jogo fácil. Daí ser fundamental estrear com vitória hoje, diante da Universidad do Chile, em São Januário. A “La U” não tem mais, hoje, uma equipe tão forte quanto tinha na época áurea de Montillo por lá (2009 e 2010). Mas é vice-líder do atual campeonato chileno, liderado pela U. Católica. E sabe jogar bola. Será um adversário extremamente perigoso, mesmo fora de casa.

O que talvez possa facilitar a vida dos vascaínos, logo mais, é a escalação (ainda não confirmada) de Rafael Vaz na zaga chilena. As virtudes (?) e defeitos do atabalhoado zagueiro são bastante conhecidos no Gigante da Colina, onde atuou por três anos. Além disso, Zé Ricardo o dirigiu durante um ano no Flamengo.

O técnico cruzmaltino faz mistério em relação ao time que mandará a campo, mas acho que voltará a escalar os jovens Evander e Paulinho como titulares. Senão o fizer, estará abrindo mão dos mais talentosos. Cuidado com isso, Zé. Como costuma dizer Muricy Ramalho, a bola pune...

Matemática esdrúxula 

Juninho Pernambucano resolveu usar as estatísticas dos jogos, para defender a sua escalafobética tese de que o futebol carioca não está tão ruim quanto todos têm visto, rodada após rodada. No Seleção SporTV de ontem, saiu a listar números e a fazer comparações enfadonhas e sem sentido entre as partidas do carioquinha, do paulista e de campeonatos europeus (ingleses e espanhóis).

Em cima deles, concluiu que o Estadual do Rio não é tão medonho assim. Afinal, mostrou, a quantidade de passes, de conclusões, os percentuais de bola rolando etc não são muito diferentes dos praticados no Santiago Bernabéu, em Wembley e no Estádio da Cidadania, em Volta Redonda.

O que Juninho não levou em conta – e é isso que faz toda a diferença – é a qualidade dos passes, das conclusões, da posse de bola etc. Em última análise, do futebol praticado. Ou, por acaso, ele acha que os chutes do Pipico e do Cristiano Ronaldo se equivalem? E os passes do Messi e do Tartá? E a posse de bola do Manchester City e a do Flamengo? Ora bolas, Juninho, até parece que você nunca jogou bola – e olha que jogou muito!

É aquela velha história: saber jogar é uma coisa; ver e analisar bem o futebol é outra, muito diferente.

Cocô do cavalo do bandido

Essas semifinais da Taça Rio não valem bulhufas. Se, por exemplo, o Botafogo ficar fora delas, estará na semi do carioquinha, pela soma total de pontos nos dois turnos. E, como se sabe, se o Flamengo, campeão da Taça Guanabara, vencer também o returno, ainda não será o campeão. Em suma: os próximos capítulos do Estadual do Rio são tão importantes quanto o cocô do cavalo do bandido, no trailer do filme.

Questão de caráter 

Antes de contratar Diego Aguirre, o São Paulo sondou Abel, acenando com uma proposta bem superior ao salário que ele recebe no Fluminense. O treinador tricolor nem quis levar o papo adiante. Como recusou também, recentemente, investidas do Palmeiras, do Internacional, do Atlético Mineiro e do Flamengo. Abelão não é homem de romper contrato. Muito menos nas Laranjeiras, clube onde começou e que o abraçou de forma tão carinhosa quando da tragédia com o seu filho caçula.

Mistura indigesta 

A coluna Radar, da Veja, informa que o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, se tornou um dos principais conselheiros da presidenciável Marina Silva, ajudando-a a elaborar a parte econômica de seu plano de governo. O cartola deve se fi liar à Rede e, talvez, dispute algum cargo nas próximas eleições. Mau como um pica-pau, o botafoguense Luiz Eduardo Rezende, meu velho amigo e companheiro de redação no Globo, dispara, em seu perfil no Facebook:

- O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Melo, virou conselheiro da Marina. Xiiiiii! Agora ela vai fi car só no cheirinho!!!!

Histórias da Plataforma 

Guilherme Outeiro me lembra mais uma da outrora badalada churrascaria, templo da boemia, nos anos 80, no Rio. Essa era contada pelo saudoso Miéle, que certo dia, ao chegar, encontrou Tom Jobim conversando com os colegas, sempre com a tulipa de chopp erguida. Ao ser perguntado o porquê disto o maestro soberano respondeu de primeira: “O médico me pediu para suspender a bebida!”

Bizarrices 

William José e Talisca?!?! Eu, hein, Tite..



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