Jornal do Brasil

Domingo, 24 de Junho de 2018 Fundado em 1891
Futebol & Cia.

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Renato Mauricio Prado


Pouco a comemorar

Jornal do Brasil

 Na vitória do Flamengo sobre o Boavista, o placar de 3 a 0 foi enganoso. O time de Carpegiani continua patinando, fez um primeiro tempo sofrível e só abriu o placar, aos 18 minutos do segundo tempo, num frango robusto do goleiro Rafael. Depois disso, em duas belas cobranças de falta, garantiu os três pontos e vem daí a única coisa realmente positiva para os rubro-negros, na partida em Volta Redonda. O Fla tem atualmente duas excelentes opções de cobradores para penalidades próximas à área. Diego, pela esquerda, e Lucas Paquetá, pela direita. E só! 

Com a bola rolando, Diego continua irritando a torcida em sua fase enceradeira, iniciada após a cirurgia no joelho, no ano passado. Gira pra lá e pra cá, quebra o ritmo de jogo, pouco arma de positivo e parece sempre mais preocupado em arranjar faltas do que em acelerar o ritmo do time. 

Outro que segue devendo é Everton Ribeiro. Até melhorou, no segundo tempo contra o Boavista, mas ainda está a anos-luz daquele jogador bicampeão brasileiro pelo Cruzeiro e eleito o craque do campeonato. 

Mais um que, por enquanto, decepciona é Henrique Dourado. Briga com a bola o tempo todo e perdeu um gol incrível, em Volta Redonda, quando pensou que estava impedido e não estava. Levou a torcida e gritar em coro o nome de Guerrero. 

Isso sem falar no péssimo Renê (Trauco é melhor que ele com uma perna amarrada!) e no esforçadíssimo, mas muitas vezes errático Everton. 

Em suma: o Flamengo ainda não conseguiu se encontrar e, jogando assim, vai ser muito difícil ir longe na Libertadores. 

Um Paquetá só não faz verão. 

Coração x Razão 

O discurso emocionado de Júlio César, no vestiário, antes de entrar em campo, foi de arrepiar. Mas raciocinando com a razão e não com o coração quem precisa de ritmo de jogo é Diego Alves. Quanto mais jogar, melhor. 

Politicamente bocó 

Gustavo Geladeira (apelido que ganhou quando jogou no Flamengo, por motivos óbvios – é grande e pesado como um refrigerador) foi rebatizado Gustavão, pelo SporTV. É nesses momentos que o politicamente correto se torna politicamente estúpido. Será que as geladeiras se sentiram incomodadas? 

Injustificável 

Chega a ser constrangedor ver o coordenador de seleções Edu Gaspar tentando justificar o injustificável: a convocação do time brasileiro sub-20, agora no início de 2018, para jogar amistosos se preparando para um Sul-Americano que só ocorrerá no ano que vem! Bem fez o Flamengo que se recusou a ceder Vinícius Jr e Lincoln, ambos integrados ao elenco profissional. A CBF não faz bulhufas pelos clubes e ainda quer desfalcá-los um ano antes de uma competição oficial? Ridículo. E a historinha, contada por Edu, de que Tite queria ver o Lincoln foi lamentável. Cheira a tentativa covarde de levar o jogador a fazer pressão pela liberação. 

Nome é demais

Leio que a Plataforma, outrora badaladíssima churrascaria e casa de shows situada praticamente em frente à sede do Flamengo, na Gávea, será demolida e em seu local construído um hotel. A “Plata’, como a chamávamos, carinhosamente, nos anos 80 foi um inesquecível templo da boemia daquela saudosa e deliciosa época.

Intelectuais, artistas, jornalistas e boêmios das mais diversas categorias batiam ponto por lá todas as noites, que só se encerravam entre 3 e 4hs da manhã, com os garçons já lavando parte do salão e colocando as cadeiras em cima das mesas. As histórias vividas por lá, certamente, dariam um belíssimo livro. Aí vai um pequeno aperitivo. 

Certa vez, Ibrahim Sued chegou à Plataforma, cercado por seu séquito (ele era, na época, o mais famoso colunista social da cidade) e logo foi abordado por uma senhora socialite que se alvoroçou ao vê-lo: 

- Ibrahim, Ibrahim, lembra de mim? 

O Turco não era exatamente um modelo de cortesia mas, ainda assim, esboçou um sorriso amarelo: 

- Claro, claro, como vai? – respondeu, tentando se desvencilhar e seguir rumo a uma mesa:

- Se lembra, diz meu nome! – insistiu a dondoca. 

- Ah, nome também já é demais! – fuzilou o jornalista, fechando a cara, apertando o passo e deixando a mulher falando sozinha, no meio do salão.



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