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Primavera começa estampada 

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Nada de hibiscos e margaridas - a moda carioca ainda não curte as flores primárias dos anos 1960, criadas pela londrina Mary Quant, revividas agora pelas coleções européias e americanas. Nas vitrines das marcas brasileiras há flores, sim - mas são espécies quase não-identificáveis, no limite do abstrato. Retorcidas, deformadas, as estampas brincam com as possibilidades infinitas das técnicas digitais. E colorem pantalonas retas, vestidos e blusas a serem usadas com shorts e saltos altos.

Lado técnico - o estilista mineiro Victor Dzenk foi um pioneiro no uso da estamparia digital. Esta técnica, que permite reproduzir imagens sem limites de cores, com definição impecável, faz toda a diferença em relação aos tempos do silk-screen e dos cilindros. Era uma das frustrações dos profissionais da nossa moda, não ter como estampar peças com centenas de cores, como se via nos lenços Hermès ou nos vestidos do italiano Roberto Cavalli.

A estampa digital recuperou o tempo perdido e permite esta euforia de muitos tons de verdes, o colorido tropicalista das flores borradas e os manchados elegantes, a ponto de transformar a estampa em característica da moda brasileira.

Além desta viravolta, há outra consequência: por mais inovações que surjam no ramo têxtil, sempre haverá um consumo nostálgico. Este consumo saudosista, em geral fascinado por detalhes que nunca viu de perto, insiste em adiar o uso das novidades. No caso das estampas, nota-se uma tendência à volta do silk screen. Como uma moda de ateliê, personalizada, de poucas cores, com o acréscimo dos foils metálicos como acabamento. O que não falta é moda. Mas em se tratando de atualidade, a Primavera começa com as flores exóticas e digitais.

 

Endereços: Shop 126: shopping Leblon; Mercatto: shopping Rio Sul