Belo Horizonte - Mary Arantes, uma das grandes criadoras brasileiras de acessórios define o estilo mineiro. “Nunca seremos iguais a São Paulo ou Rio de Janeiro. Temos um jeito meio jequinha, preservado pela muralha de montanhas”, afirmou em entrevista, logo após a visita a sua exposição-manifesto no Museu de Artes e Ofícios, em Belo Horizonte, durante o evento Minas Trend Preview. O jeito modesto disfarça a capacidade de criar moda com riqueza, mesmo usando materiais recolhidos no lixo, como as cadeiras, cabaças e vidros que foram transformados em objetos decorativos, recobertos de fitas e vieses, vistos ao lado das modelos portando vestidos primorosos em fuxicos e pregueados. É o jeito mineiro, que caracteriza a grife Mary Design, há 30 anos definindo a elegante mistura de artesanato e arte que forma o estilo preservado pelas montanhas de Minas.
Tanto nos desfiles como nas palestras, o evento mostra a qualidade da moda local. Ou brasileira, já que Rogério Gonçalves, diretorde marketing da Tecelagem Santanense e Luis Morais, da grife Patricia Bonaldi, roubaram a cena na palestra sobre o evento Premiere Vision em Paris e no Brasil, falando sobre as exportações. Rogério defende a prática de nunca parar de exportar, ainda que a época esteja ruim, o dólar baixo, as vendas, poucas. “Para melhorar as negociações, aprendi ingles, espanhol, alemão. E já estou sabendo algumas palavras em mandarim!”, contou, antes de completar dizendo que é preciso trabalhar, trabalhar, em vez de esperar que baixem os impostos ou acabe a corrupção no país.
Nas coleções desfiladas, o destaque mais uma vez foi para as bolsas de Rogerio Lima, que combinou o couro recortado com “recheios” de tecido da linha Colors, da Cedro. Os recortes foram utilizados em acessórios de cabeça, sapatos e ombreiras. Eduardo Amarante, da E. Store apostou nos bicolores, longos com barras azuis, vestidos brancos com frisos pretos e belas saias-lápis ou longas, pretas, com cintos de cristais. Na Maria Garcia, o melhor foi a linha de casacos e as calças de corte pantalona, com japoninhas. Claudia Arbex arrasou com mais um desfile de belo styling: as modelos de camisolões beges e boots pretos mostraram colares de pérolas e cordões, que enriquecem qualquer vestidinho. Na Apartamento 03 as texturas predominaram, tanto no tecido changeant como nas bolsas e casacos com aspecto cabeludo. E na Ultima Hora, a graça dos paletozinhos cheios de detalhes de galòes, aplicações, tacheados nas lapelas e mangas, deu uma versão irresistível à referência nos anos 1970.
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