No primeiro encontro nacional, em 38 anos, sem a presença de seu líder, o PT oficializou por aclamação, ontem, em São Paulo, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão presidencial de outubro e confirmou que seu nome será registrado no dia 15 de agosto em uma marcha a Brasília. Depois de uma conversa com o ex-presidente, que está preso há 120 dias, o PT decidiu não escolher na convenção de ontem o vice na chapa à sucessão presidencial. Lula enviou uma carta ao evento em que defendeu o direito de ser candidato nas eleições de outubro e fez um apelo aos militantes para que o defendam na campanha presidencial. “Já derrubaram uma presidenta eleita; agora querem vetar o direito do povo escolher livremente o próximo presidente. Querem inventar uma democracia sem povo”, ressaltou.
Segundo ele, a democracia brasileira está “ameaçada” e “a vitória dependerá do empenho de cada um de nós”. “Este encontro nacional do PT talvez seja um dos mais importantes em toda a história do nosso partido. É enorme a responsabilidade que temos pela frente. A decisão de hoje vai nos conduzir a uma luta sem tréguas pela democracia, pelo povo brasileiro e pelo Brasil”, afirmou. “Mas sei que estou presente por meio de cada um de vocês, cada dirigente, delegado e militante do PT”, escreveu o ex-presidente. Como tem ocorrido em encontros petistas, máscaras de Lula foram distribuídas como uma forma de representá-lo. A presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, lembrou que o encontro marca mais um enfrentamento histórico à tentativa de impedir a candidatura de Lula. “Este é um momento histórico e quero dar um recado para a Globo: apesar de vocês estamos aqui e Lula é o nosso candidato a presidente da República. Somos milhões de Lulas, como ele nos pediu”, destacou.
Segundo Gleisi, não existe política no país hoje sem Lula ou sem o PT. “É um momento histórico. Esta é a ação mais confrontadora contra esse sistema podre”, disse. “Eles não vão conseguir tirar Lula desse jogo. Não existe política nesse país sem falar de Lula e sem falar de PT”, completou.
Coordenador do programa do governo, PT, o ex-prefeito Fernando Haddad afirmou que “enquanto existir desigualdade, vai existir luta do PT”. “Eu sou daqueles que têm a convicção de que estamos rumo ao pentacampeonato petista. Vamos ganhar a quinta eleição consecutiva”, disse ao ressaltar a liderança de Lula nas pesquisas eleitorais, mesmo após quatro meses de sua prisão. Ao encerrar o encontro, a ex-presidente Dilma Rousseff, candidata ao Senado por Minas Gerais, afirmou que “Lula representa a esperança” e destacou o papel do partido em defesa da democracia. “Vamos enfrentar uma luta muito dura. Nós queremos Lula candidato à Presidência porque o povo quer. E nesta etapa nós precisamos lutar todos os dias. Está nas nossas mãos fazer o que tem que ser feito. Vamos à luta”, convocou a presidenta. Dilma disse ainda que vai para a campanha defender Lula e se posicionar contra os autores do golpe, em referência ao processo de impeachment. Desde sexta-feira, havia uma grande expectativa do anúncio de uma aliança entre PT e PCdoB e da indicação da deputada estadual, Manuela D’Ávila, com vice do ex-presidente, o que acabou não acontecendo.
Segundo Gleisi, o partido decidiu manter a estratégia de só definir o nome do vice às vésperas do registro da candidatura de Lula junto ao TSE. O comando petista havia sido alertado sobre uma possível exigência da legislação eleitoral para definição dos candidatos até amanhã, quando o resultado das convenções são informados à Justiça Eleitoral. Mas, na conversa com Lula, o partido entendeu que não houve alterações na jurisprudência eleitoral e que o PT utilizaria o prazo até 14 de agosto para continuar as negociações com as legendas do campo progressista. O assunto vem dominando as conversas internas e há quem defenda que essa definição precisa sair logo. Na convenção, o PT também anunciou o apoio do PROS e PCO. Gleisi e Haddad são os nomes cotados no partido para substituir Lula em uma possível impugnação de sua candidatura.