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País - Eleições 2018

Ciro: ‘Não sou imune a erros’

Lançado à Presidência pelo PDT, ex-governador afirma que é intransigente com a imoralidade

Jornal do Brasil EDLA LULAedla.lula@jb.com.br

Em cerimônia discreta, o ex-governador do Ceará Ciro Gomes foi lançado, ontem, como candidato à Presidência da República pelo PDT. O ato foi marcado por um discurso conciliador. Ciro fez questão de justificar as declarações polêmicas que fez recentemente e que teriam prejudicado suas negociações com o Centrão. “Não sou superior, nem imune, nem vacinado contra erros. Tenho trabalhado 10 horas por dia e a minha ferramenta de trabalho é a palavra. Evidentemente posso errar aqui e ali. Nunca tive a pretensão de ser anjo”, disse ele, de cima de um pequeno palanque montado no entrada da sede do partido, em Brasília.

Ele completou argumentando que age assim porque seus pais o criaram “com toda decência e exemplo, ensinando a intransigência com a imoralidade e com o descompromisso”. Para o público interno, suas explicações não eram necessárias. Na convenção nacional do Partido Democrático Trabalhista, o nome do cearense foi aprovado por aclamação. Se não houve voto contra também não houve apoiadores de outros partidos – nem à esquerda, nem à direita.

O PDT vinha tentando acordo tanto com os partidos ditos de esquerda, como PSB e PCdoB, quanto com o chamado Centrão – DEM, PRB, Solidariedade e PP –, que na última quinta-feira, depois de uma longa espera, decidiu selar a aliança com o PSDB, de Geraldo Alckmin. 

Na convenção do PDT, Ciro Gomes fez um discurso conciliador e prometeu gerar milhões de empregos nas grandes cidades e no interior

Ciro não citou a decisão do Centrão e nem fez críticas aos candidatos concorrentes em seu discurso. Ao contrário, em tom pacificador, disse que “o Brasil é um grande país e tem recursos e riquezas suficientes para oferecer uma vida feliz ao nosso povo. O que está faltando é coesão, um debate franco, fraterno e sem ódio sobre o Brasil que queremos”. 

Um dos participantes da convenção comentou que a discrição na fala de Ciro se deu porque “o cenário ainda pode mudar”, já que o Centrão não oficializou a decisão de apoiar Alckmin. “Muita coisa pode mudar até a próxima semana”, disse, citando como exemplo o fato de o nome indicado como candidato a vice-presidente na chapa tucana, Josué Gomes, do PP mineiro, filho do ex-vice presidente José Alencar, ainda não ter aceitado o convite. A fonte lembrou ainda que a decisão precisa ser discutida internamente nos partidos. 

Em seu discurso, Ciro não deixou de citar alguns temas caros aos partidos conservadores, como o ajuste fiscal. “O Brasil está numa situação fiscal deplorável. O déficit primário do governo é próximo a R$ 150 bilhões. Somente com juros foram gastos nos últimos 12 meses R$ 380 bilhões. A dívida do setor público alcança hoje 76% do PIB, ou seja, mais de R$ 5 trilhões. Aqui não cabe aventura, nem ruptura, nem quebra de contrato. Isso nunca resolveu problema de nação nenhuma”.

Ao enumerar as propostas do Movimento 12, seu programa de governo, Ciro também destacou bandeiras sociais, como o combate ao desemprego. “No momento em que nos reunimos nesta linda convenção, 13 milhões e quinhentos mil brasileiros amargam a suprema humilhação do desemprego aberto”, disse, e prometeu: “A primeira e mais urgente tarefa é gerar empregos. Muitos, milhares, milhões de empregos, do Rio Grande do Sul à Amazônia, da Bahia ao Mato Grosso do Sul, das grandes cidades ao Brasil profundo do interior”. 



Tags: campanha, ciro, eleições, política, presidência

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