A revista inglesa The Economist reproduziu um artigo da seção impressa The Americas sob o título "Bardo de Belíndia", na última quarta-feira (12), sobre Edmar Bacha, o terceiro economista a juntar-se à Academia Brasileira de Letras.
Conhecido como um dos pais do Plano Real, Bacha tomou posse da cadeira 40 no último dia 7. Como a publicação destaca, os assentos da ABL são reservados “para intelectuais elevados e os mais finos formadores de opinião” do país.
A revista menciona o momento de crise econômica que o Brasil enfrenta atualmente, comparando à vitória de mais um economista liberal na ABL. “Os brasileiros que se lembram dos anos 80 hiperinflacionários aplaudiram a notícia de que os preços subiram apenas 4,57% no ano até março”, pontuou o artigo.
Edmar Bacha, lembrado pelo neologismo ‘Belíndia’, o qual ele descreve o Brasil como sendo uma pequena e rica Bélgica cercada por uma vasta e pobre Índia; vestiu o traje verde e dourado dos “imortais”, como são conhecidos os membros da ABL. A segunda versão do livro, “Belíndia 2.0”, rendeu a Bacha, em 2012, o prêmio Jabuti de melhor livro do ano na área de Economia, Administração e Negócios. “Romancistas e poetas da academia argumentaram que a maioria de sua dúzia de livros é uma dissertação seca”, escreve o artigo. O economista tem 12 livros publicados e organizou mais 18 títulos. Seu antecessor foi o jurista Evaristo de Moraes Filho, falecido em julho do ano passado.
A revista lembra que sua eleição em novembro passado foi uma das mais polêmicas em 120 anos de história da Academia, e sugere que “também pode ser um sinal dos tempos”. O mineiro de Lambari foi escolhido imortal em novembro do ano passado, vencendo o ex-ministro do Supremo Eros Grau, por 18 votos a 15. “Alguns duvidam de que o Sr. Bacha merece a imortalização”, acrescenta o artigo, “o voto inusitadamente fechado expôs uma fenda entre a ‘ala cultural’ da academia e seu grupo de servidores públicos, incluindo dois ex-presidentes”.
Bacha era chefe do escritório de estatísticas e do Banco de Desenvolvimento do Estado, e lutou contra a inflação em sua trajetória profissional. Mais tarde tornou-se banqueiro de investimentos. Ele presidiu o BNDES e o IBGE — este último logo após o fim da ditadura militar. Atualmente, é diretor da Casa das Garças/Instituto de Estudos de Política Econômica. Em uma de suas obras, o artigo lembra que o economista confronta a tese de que o aumento dos preços causa déficits fiscais.
“A elevação de Bacha pode ser um sinal de que o liberalismo econômico está recuperando terreno. O governo de Michel Temer pode vir a ser um dos mais liberais que o Brasil já teve. A academia também está se tornando mais cabeça-dura”, finalizou The Economist.