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'Le Monde': França deveria acelerar seus investimentos 

Falta de rentabilidade e fraqueza das vendas explicam redução nos últimos anos

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“A chave da retomada econômica é o investimento”, assegurou François Hollande, na sexta-feira, 3 de abril, em uma visita a Trie-Château (Oise) durante a qual ele esboçou algumas medidas de apoio na direção dos PME. Porque, sem investimentos, não haverá geração de empregos. De qualquer forma, não o suficiente para reduzir o desemprego. E é exatamente o que está acontecendo atualmente, diz uma matéria do Le Monde publicada no sábado (04/04).

Certamente constatam-se alguns sinais de uma leve recuperação. A Insee acaba de rever levemente suas previsões e espera uma progressão de 0,4% do PIB ao primeiro trimestre, e em seguida 0,3% no segundo. Mas essa retomada de crescimento depende mais da boa manutenção do consumo dos lares do que do investimento das empresas, que continua desesperadamente estagnado.

“É o investimento que mais pesou no crescimento  nestes últimos anos. A queda foi menor do que na Alemanha durante a crise, mas a recuperação é nitidamente inferior na França”, detalha Peter Jarrett, chefe da divisão na OCDE.

Qual é a evolução dos investimentos?

“O esforço de investimento francês se degradou desde 2000, passando de 5% da receita anual a 3,9%, seja uma baixa de 5 bilhões de euros por ano”, indica um estudo do gabinete alemão Roland Berger, entregue ao ministro da economia, Emmanuel Macron em outubro, e da qual o jornal Le Monde obteve uma copia.

No quarto trimestre de 2014, o investimento dos empregos se contraiu em 0,2%, depois de uma estagnação durante os três meses anteriores. Em relação ao valor agregado, a taxa de investimento, que era igual desde 2011, começa a diminuir sensivelmente. E a Insee espera uma nova estagnação no primeiro semestre deste ano.

“Hoje, o investimento industrial permanece inerte, confirma Denis Ferrand, economista da Coe-Rexecode, um instituto de análise próximo ao patronato. As despesas servem para substituir as velhas máquinas, e é basicamente isso.»

Por que o investimento não é retomado?

A falta de rentabilidade e a fraqueza das vendas são os principais fatores que explicam, há quinze anos, a redução drástica do investimento. Hoje, porém, os benefícios começam a se recuperar um pouco (a margem percentual deveria ultrapassar 31% no primeiro semestre, contra 29,7% em 2013), principalmente graças à baixa do petróleo e ao crédito de imposto para a competitividade e o emprego (CICE). Os bancos podem emprestar dinheiro a taxas de juros mínimas.

Porém a demanda continua frágil, apesar de alguns sinais de retomada. A Insee faz também salienta um deslocamento entre a percepção das empresas e a “nítida injeção de oxigênio” da qual elas se beneficiam. Esse deslocamento pode ser temporário e traduzir uma grande prudência face aos primeiros sinais da melhora da demande.

Mas ele pode também refletir “dificuldades estruturais impedindo as empresas francesas de se beneficiar plenamente desse ambiente favorável”.