“A indústria do petróleo, com sua história de expansão e contração, parece estar nos primeiros estágios de seu último declínio”. É o que diz a matéria do jornal norte-americano The New York Times, publicada na terça-feira (13/01).
“O preço do petróleo desabou mais do que 55% para abaixo de US$ 50 o barril desde junho. Esse é o preço mais baixo desde os níveis mais baixos registrados durante a recessão de 2009.
Nas negociações de terça-feira, o petróleo Brent, a principal referência internacional, caiu para US$ 45,61 o barril. A referência americana caiu quase 3% antes de se recuperar levemente; estava sendo negociada a US$ 45,50 o barril ao meio-dia.
Analistas prevêem que o preço poderia cair abaixo de US$ 40 antes de começar a se recuperar. Mas até os otimistas dizem que US$ 70 o barril por volta do fim do ano é muito duvidoso”, escreve o jornalista Clifford Krauss. Ele apresenta algumas respostas para perguntas que têm sido feitas com freqüência nos últimos meses:
Por que o preço do petróleo está caindo tão rápido? Por que agora?
Essa é uma questão complicada, mas se reduz à simples economia da oferta e demanda. A produção interna dos Estados Unidos quase dobrou nos últimos seis anos, pressionando as importações de petróleo que precisam encontrar outro abrigo. O petróleo da Arábia Saudita, Nigéria e Argélia que antigamente ia para os Estados Unidos se viu de repente competindo pelos mercados asiáticos, e os produtores estão se sentindo pressionados a baixar os preços.
No lado da demanda, as economias da Europa e de países em desenvolvimento estão se enfraquecendo e os veículos estão se tornando mais eficientes em termos de energia. Logo, a demanda por combustível está se reduzindo um pouco.
Quem se beneficia com a queda do preço?
Qualquer motorista pode afirmar que os preços da gasolina caíram mais do que dólar o galão nos últimos meses. Os preços do diesel, gasóleo de aquecimento e gás natural também tiveram uma queda significativa. No total, eles representam o equivalente a um corte considerável nos impostos — colocando US$ 1000 ou mais nos bolsos da família média no próximo ano. Europeus e consumidores em todo o mundo vão aproveitar esses benefícios.
Quem perde?
Para começar, países produtores de petróleo e estados. Venezuela, Irã, Nigéria, Equador, Brasil e Rússia são apenas alguns poucos ‘petro-estados’ que vão sofrer turbulências econômicas e talvez até políticas. Estados do golfo persa deverão investir menos dinheiro em todo o mundo, e poderão cortar ajuda a países como o Egito.
Nos Estados Unidos, Alasca, Dakota do Norte, Texas, Oklahoma e Louisiana vão enfrentar desafios econômicos. Algumas empresas menores de petróleo que estão profundamente endividadas podem encerrar seus negócios, pressionando alguns bancos que fizeram empréstimos a elas.
O que aconteceu com a Opep?
Um fator central nas fortes quedas dos preços, dizem analistas, é a persistente falta de vontade da Opep, o cartel de produtores do petróleo, em intervir para estabilizar os mercados que são amplamente vistos como excedentários. Os preços da referência do petróleo da Opep caíram em cerca de 40% desde que a organização se recusou a cortar a produção numa reunião no final de novembro em Viena.
Irã, Venezuela e Argélia têm pressionado o cartel a cortar a produção para conter os preços, mas a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e outros aliados do Golfo estão se recusando a fazê-lo. Ao mesmo tempo, o Iraque está na realidade produzindo ainda mais.
Autoridades sauditas disseram que se eles cortam a produção e os preços sobem, eles perderão ações do participação do mercado e vão apenas beneficiar seus concorrentes. Eles afirmam que desejam ver os preços do petróleo caírem muito mais, mas alguns analistas dizem que eles estão apenas blefando.
O ministro do petróleo dos Emirados Árabes Unidos acrescentou que a pressão para baixo nos preços na terça-feira quando ele disse aos repórteres numa conferência em Abu Dhabi que cabia às empresas de petróleo de xisto nos Estados Unidos e outros produtores de petróleo de alto custo a cortarem suas produções.
Existe alguma conspiração para levar o preço do petróleo para baixo?
Há numerosas teorias da conspiração circulando. Até alguns executivos do petróleo estão notando em silêncio que os sauditas querem atingir a Rússia e o Irã, assim como os Estados Unidos também quer — uma motivação suficiente para as duas nações produtoras de petróleo a forçar uma queda nos preços. Pressionar os preços do petróleo para baixo nos anos 1980 ajudou a derrubar a União Soviética, no fim das contas.
Mas não há provas que dêem base a teorias da conspiração, e a Arábia Saudita e os Estados Unidos raramente coordenam com facilidade. E o governo Obama dificilmente fica numa posição de coordenar a perfuração de centenas de empresas de petróleo que buscam lucro e respondendo a seus acionistas.
Por que os preços devem se recuperar?
Não em breve. A produção de petróleo ainda está crescendo nos Estados Unidos e alguns outros países. Vários bancos de Wall Street estão prevendo que os preços do petróleo podem cair até US$ 40 o barril nos próximos meses.
Mas a produção deve começar a cair no segunda metade do ano, e em seguida os preços do petróleo também vão começar a se recuperar. A história do petróleo é a história de expansões e contrações seguidas de mais do mesmo”, conclui a matéria de Clifford Krauss para o New York Times.