Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Alimentação pesou na inflação em 2013, mas terá impacto menor em 2014

Agência BrasilCristina Indio do Brasil

Responsável por boa parte da inflação do ano, o grupo alimentação subiu 9,28% em 2013 no fechameno do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para 2014,o item alimentação continuará pressionando a inflação, mas em uma escala menor do que em 2013.

O IPC mede a variação de preços de um conjunto fixo de bens e serviços componentes de despesas habituais de famílias com nível de renda situado entre 1 e 33 salários mínimos mensais. Além da alimentação, há sete classes de despesa no IPC: habitação, vestuário, saúde e cuidados pessoais, educação, leitura e recreação, transportes, despesas diversas e comunicação. 

Segundo o economista do Ibre, André Braz, “alimentação foi uma das despesas que mais contribuíram para a inflação de 2013”. A alimentação é medida dentro e fora de casa. “Só os alimentos consumidos em residência, comprados em supermercados, subiram 8,8% de janeiro a dezembro de 2013: alta acima da inflação média apurada pelo próprio indicador, que avançou 5,48%, disse.

Acrescentou que o impacto é maior para as famílias de baixa renda, que “gastam cerca de 30% do orçamento familiar na compra de alimentos”, observou. Braz informou que há duas categorias de alimentos: as que – mesmo sem subir fortemente - têm peso grande no orçamento familiar e as que - embora tenham subido bastante - têm peso pequeno no orçamento familiar.

O economista destacou que vários produtos da cesta básica registraram avanços significativos em 2013. Dois produtos, que fazem parte da dieta do brasileiro, registraram elevação significativa: o leite tipo longa vida, que acumulou alta de 21% em 2013; e o pão francês, que subiu 14,5%, ambos pelo IPC da FGV.

Para ele, o vilão em grande parte do ano foi o tomate, que teve alta de 18%. “Nada desprezível”, completou. 

O economista disse que a alta dos alimentos poderia ter sido maior se não fosse o comportamento de outros itens que registraram queda. “Entre os mais importantes estão o óleo de soja, com queda de 19%, o açúcar refinado, com baixa de 15%, o café, com queda de 6% e o feijão carioca com queda de 12%. Também na lista dos alimentos em queda há o arroz e o feijão, itens importantes na dieta do brasileiro.

André Braz destacou ainda que o preço do bacalhau, que tem vários tipos, ficou em média 9,69% mais barato. Ele explicou que, como item de Natal, o bacalhau pode abrir espaço para que mais famílias o incorporem à ceia deste ano. “Pelo menos uma folguinha no fim do ano o brasileiro deve ter”, contou.

No entanto, Braz alertou para o fato de que, apesar de ter ficado mais barato, o preço do bacalhau é caro. Por isso, o preço da carne pode ser mais vantajoso. “Ainda que o frango e a carne suína tenham ficado mais caras, esses itens podem ser melhor negócio que o bacalhau. O consumidor tem de [julgar o que] é melhor para o bolso”, disse. 

O ano de 2014 começa com a previsão de alta nos produtos in natura como hortaliças, legumes e frutas. Nesta época do ano, a chuva e o calor interferem na produção e os preços sobem. “Essa variabilidade de clima no verão prejudica muito a oferta desses alimentos e, por consequência, passamos um período de aumento de preços. Isso deve vigorar de janeiro a março. Já os outros alimentos, como arroz, feijão e carne não têm previsão de que continuem subindo de preço. É provável que haja um alento ali”, analisou. 

A previsão é que, durante o ano, a oferta de alimentos seja mais regular do que em 2013 e, dessa forma, o aumento dos preços dos alimentos em 2014 pode ser menor do registrado este ano, apesar de ainda causar impacto na inflação. “Ainda assim a gente acredita que o item alimentação vai continuar respondendo por parte da inflação, mas há uma expectativa de uma variação mais baixa do que a acumulada em 2013”, destacou. 

Por causa destas variações, o economista orientou o consumidor para sempre aproveitar as oportunidades que o mercado oferece. Como existe muita concorrência no setor, o varejo sempre promove promoções. Braz deu ainda outras dicas para o consumidor gastar menos. “O consumidor pode evitar grandes compras do mês, privilegiando as compras semanais justamente para ter tempo de comparar preços e aproveitar as unidades em promoção. Trocar as marcas líderes por marcas que estão entrando no mercado e guardam qualidade. E não abrir mão de consumir determinados produtos e pagar menos por ele. Deve também privilegiar produtos da estação. É sempre uma boa estratégia para gastar um pouco menos”, aconselhou. 

O consumidor já aprendeu que esta é a melhor forma de comprometer menos o orçamento familiar. A cuidadora de idosos Maria de Fátima Dias Costa tem hábito de fazer comparação de preços entre vários supermercados. “Ontem eu levei daqui pêssego e ameixa, não só pela qualidade, mas porque o preço estava bom. Eu que quero me alimentar melhor, tenho que gastar sola de sapato”, disse.

A aposentada Eleonora Giglio Linhares disse que o preço do tomate subiu muito durante o ano e, em seguida, desabou. “Agora, [com o preço lá embaixo, comprei em grande quantidade. Para não perder o produto], já fiz quatro quilos de conserva. A gente tem que saber o dia em que o supermercado faz a promoção. O chefe de família deve acompanhar”, disse.

Segundo André Braz, o varejo também aprendeu que esta é uma forma de se diferenciar. “Há um interesse mútuo tanto em atrair a atenção do consumidor com estas promoções, quanto do consumidor em buscar economia. Como houve um casamento perfeito é um tipo de comportamento que vai continuar. E o consumidor só tem a ganhar quando aproveita as oportunidades”, disse.

Tags: 2013, 2014, alimento, inflação, preço

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