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Xisto pode energizar o mundo, diz professor em evento da FecomercioSP

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Palestrantes do evento O Xisto, a Geopolítica Energética e a Sustentabilidade, promovido na manhã de hoje pelo Conselho de Sustentabilidade da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), na sede da entidade, em São Paulo (SP), concordaram que o gás não convencional é uma alternativa energética viável para o Brasil, importante para garantir e ampliar a competitividade nacional frente a outros mercados e possível de ser explorado se a gestão dos riscos ambientais for eficiente.

"Acredito que esta rocha pode energizar o mundo", disse o vice-diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (USP), Colombo Celso Gaeta Tassinar. O recurso natural é encontrado em rochas metamórficas localizadas a partir de 1,5 mil metros de profundidade. "Quanto mais profundas as rochas, maior o potencial."

O gás de xisto - chamado de gás de folhelho ou shale gas pelos especialistas - ganhou visibilidade no País com o anúncio da realização, nos dias 30 e 31 de outubro, do primeiro leilão de blocos pelo governo federal. Por causa da técnica utilizada para sua obtenção - o fraturamento hidráulico -, logo virou alvo de polêmica: também conhecido por fracking, ele envolve a explosão de rochas sedimentares e injeção de grande quantidade de água (cerca de 90%), areia (9%) e reagentes químicos (1%).

Um dos perigos apontados por ambientalistas é de que esse material químico poderia entrar em contato com lençóis freáticos. "É importante não demonizar o processo sem ter o conhecimento prévio", advertiu o presidente do Conselho de Sustentabilidade da FecomercioSP, José Goldemberg, já ao abrir o encontro. As reservas de água no subsolo se localizam em profundidades muito menores daquela em é preciso atingir para exploração do gás e uma contaminação de baixo para cima é descartada pelos especialistas.

"As partes críticas do poço (especialmente as que passam por lençóis) são revestidas com cimento e aço. Além disso, antes de iniciar a operação, é preciso um estudo da área em questão, levantamento ambiental, domínio das técnicas, além da existência de regulação da atividade e um protocolo de segurança", afirmou Tassinar. "A agricultura tem a mesma e até maior probabilidade de contaminação da água e do solo do que o shale gas", exemplificou citando o uso de fertilizantes e agrotóxicos nas plantações.

Potencial - Segundo agências internacionais, o Brasil teria pelo menos 6,4 trilhões de m³ de reservas recuperáveis de xisto, o que o coloca na décima posição no mercado mundial. A estimativa, porém, é considerada tímida - acredita-se que o País tenha, ao lado de Estados Unidos e China, as maiores reservas do recurso no mundo.

Representante da Agência Nacional do Petróleo (ANP) no evento, o superintendente-adjunto de Segurança Operacional e Meio Ambiente da autarquia, Hugo Manoel Marcato Affonso, compartilhou conclusões de um estudo da Royal Society, entidade inglesa voltada para a Ciência. "Um deles é que o risco para saúde, segurança e meio ambiente podem ser geridos de forma eficaz. Outro, que a propagação das fraturas (geradas no fracking) é improvável causa de contaminação", disse.

Os blocos que entrarão no leilão da ANP, em outubro, estão localizados nas bacias do Acre, Parecis, Paraná, Parnaíba, Recôncavo e do São Francisco. "Dado que toda a infraestrutura tem de ser desenvolvida, espera-se que a produção brasileira esteja disponível para consumo dentro de 10 anos", informou Affonso.