Conservadores ainda resistem ao 'Medicaid'
Para Paul Krugman, 'Obamacare' é liberdator
O Presidente Obama lançará em breve um novo orçamento, e os comentários já estão fluindo rapidamente e furiosamente. Os progressistas estão irritados (com razão) com a proposta de cortes para a Segurança Social. Conservadores estão denunciando a chamada por mais receitas. Mas é tudo “Kabuki”. Já que os Republicanos irão bloquear tudo que Obama propor, seu novo orçamento é mais bem visto não como uma política, mas como um posicionamento, uma tentativa em ganhar elogios dos especialistas de “centro, propõe o artigo assinado por Paul Krugman para o The New York Times.
Não, a política real de ação, neste momento, está nos Estados Unidos, onde a questão é: “Quantos americanos terão seus direitos de assistência médica negados em nome da liberdade?”.
Estou me referindo, claro, à questão de quantos Governadores Republicanos irão rejeitar a Medicaid (plano americano de assistência médica aos mais necessitados) , que é uma parte fundamental do “Obamacare”. O que isso tem a ver com liberdade? Na realidade, nada. Mas quando se trata de política, é uma história diferente.
Nem é necessário dizer que os Republicanos se opõem a qualquer expansão de programas que ajudam os mais necessitados – juntamente com cortes de taxas para os mais ricos, a oposição é basicamente o que define o conservadorismo moderno. Mas eles parecem estar enfrentando mais problemas do que no passado, defendendo sua oposição sem se transformarem em simples monstros.

Especificamente, a prática consagrada de atacar os beneficiários pelos programas de governos, chamando-os de indignos e enganadores, não está funcionando da maneira tradicional. Quando Ronald Reagan discursou sobre rainhas dirigindo Cadillacs, resoou em muitos votos. Quando Mitt Romney foi pego em flagra ironizando os 47%, nem tanto.
Entretanto, existe uma alternativa. Desde a entusiástica recepção, quando os conservadores americanos deram a Reagan o livro “Caminho da Servisão”, de Friedrich Hayek, até os Governadores, que agora atrapalham a expansão do Medicaid, os direitos constitucionais americanos retrataram sua posição, não como um modo de confortar os confortáveis, mas como uma corajosa defesa da liberdade .
Conservadores amam, por exemplo, citar um trecho de um discurso que Reagan fez em 1961, em que ele alertou para um futuro sombrio, a não ser que os patriotas tomassem uma atitude. (Liz Cheney usou isso em um editorial do Wall Street Journal, alguns dias depois) “Se você, e eu não faço isso”, Reagan declarou, “Então você e eu devemos passar nossos anos de pôr do sol dizendo aos nossos filhos e nossos netos como era o tempo em que os homens eram livres na América”. O que você pode não imaginar a partir da linguagem empolgada é que “isso”, o heroico ato em que Reagan convocava seus ouvintes a agir, foi um esforço feito para bloquear a promulgação do “Medicaid”.
Atualmente, conservadores utilizam argumentos bem similares contra a política de Obama, a “Obamacare”. Por exemplo, o Senador Ron Johnson, de Wisconsin, chamou a medida como “O maior ataque à liberdade da história”. E esse tipo de questões retóricas, porque quando se trata do obstáculo principal agora restante para a cobertura médica mais ou menos universal, a relutância dos Governadores Republicanos em permitir que o Medicaid se expanda é uma peça chave para a reforma, é basicamente tudo o que a direita tem.
Como eu já sugeri, o velho truque de culpar o necessitado pela sua necessidade não está funcionando como antes, especialmente em relação à reforma da saúde: talvez, devido à experiência tão comum em perder seguros, “Mecidaid” garante um marcante apoio do povo. E agora que a reforma da saúde é a lei da terra, a defesa econômica e fiscal para Estados individuais aceitarem o “Medicaid” é esmagadora. Por isso que empresas apoiam fortemente a expansão em todo lugar, inclusive no Texas. Porém, essas práticas podem ser colocadas de lado se você for capaz de argumentar que o seguro é uma espécie de escravidão.
Claro que não é. Na verdade, é difícil pensar em uma proposição que tenha sido tão refutada pela história, quanto a noção de que seguro social prejudica uma sociedade livre. Quase 70 se passaram desde que Friedrich Hayek previu (ou pelo menos foi compreendido pelos seus admiradores como uma previsão) que o estado de bem-estar britânico colocaria a nação no terreno perigoso do Stalinismo; 46 anos se passaram sedse que o “Medicare” entrou em vigo; Na medida em que a maioria de nós pode dizer, a liberdade não morreu em nenhum lado do Atlântico.
Na realidade, a experiência vivida pelo “Obamacare” é capaz de ser apontada como uma significante medida de liberdade individual. Para todos, nosso discurso em sermos a “terra da liberdade”, aqueles dos empregos, em decadência, que oferecem benefícios hospitalares decentes, normalmente sentem qualquer coisa menos liberdade, sabendo que se eles abandonarem ou perderem o emprego, por qualquer razão, podem não ser capazes em recuperar a cobertura que necessitam. Ao longo do tempo, quando as pessoas começarem a perceber que a cobertura disponível, agora, está garantida, haverá um forte efeito libertador.
Mas, o que nós ainda não sabemos é a quantidade de americanos que terão esse tipo de libertação negada- uma cruel negação, pois será imposta em nome da liberdade, conclui o artigo de Krugman.
