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GM mantém demissões e sindicato não sensibiliza ministro da Fazenda 

Ministro Guido Mantega afirmou que a empresa cumpriu com exigências do governo

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A decisão da General Motors (GM) de fechar um setor de sua fábrica em São José dos Campos, interior de São Paulo, gerando 2 mil demissões deixou revoltados os trabalhadores da região. Em protesto, funcionários da empresa começaram a trabalhar com uma hora de atraso nesta terça-feira (31) e, segundo Luiz Carlos Prates, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade, outras manifestações e protestos deverão ocorrer nos próximos dias.

Nesta terça-feira (31), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, se encontrou com o vice-presidente da Associação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan Yabiku Júnior - que também é o diretor de Assuntos Institucionais da GM - para decidir sobre um prolongamento na redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis, que expira daqui a um mês. 

A redução aconteceu em maio e estava condicionada a manutenção dos empregos nas montadoras de todo o país. O ministro afirmou que a prorrogação após agosto "não está sendo cogitada". Porém, questionado sobre as demissões da GM, Mantega afirmou que a empresa cumpriu com as exigências do governo. "O que nos interessa é que a GM tenha saldo positivo e esteja contratando, e isso está sendo cumprido", disse. 

Não é o que afirma o sindicato. "As declarações sobre o saldo de empregos na General Motors dadas pelo ministro contrariam dados do próprio Governo Federal". Segundo dados apresentados pela instituição, de julho de 2011 a junho de 2012, a GM fechou 1.044 postos de trabalho em São José dos Campos e 349 em São Caetano. A única fábrica a fechar o período com saldo positivo foi em Gravataí, com 204, afirma o sindicato.  

O impacto das demissões sobre o mercado de trabalho em São José dos Campos será de 15.500 postos eliminados, informou o sindicato. O cálculo é feito através de estudos do Dieese, que considera que para cada emprego direto eliminado na GM outros 6,75 indiretos serão fechados. Assim, além dos 2 mil trabalhadores, outros 13.500 também podem perder seus empregos.

"A GM e todo o setor automobilístico do país tem lucrado e crescido a taxas de 3 a 4%, com muitos incentivos do governo, que também reduziu diversos impostos. O objetivo da GM é apenas lucrar mais e mais, não há problemas que justifiquem esta demissão em massa", afirmou o representante, depois de participar de uma assembléia com os trabalhadores da empresa. Nesta reunião foram acertados novos protestos e paralisações. O objetivo, segundo Prates, é "conseguir uma audiência com o governo federal". 

Lucros são altos, afirma Sindicato

A montadora afirma que deixou de produzir três dos quatros modelos - o Corsa Hatch, Meriva e Zafira - fabricados naquele município - Montagem de Veículos Automotores de São José dos Campos: . Isto motivou o fechamento. Prates afirma, no entanto, que o sindicato "vem apresentando à GM várias propostas para evitar as demissões, sem que esta demonstre a mínima disposição de negociar".

O Sindicato divulgou ainda nota em que afirma que "a empresa está em um momento de aumento de vendas e batendo recordes de faturamento e lucro em suas unidades no Brasil, em particular na unidade de São José dos Campos, responsável por 35% do faturamento da GM em nosso país". Mesmo com o crescimento, as demissões têm sido constantes, afirma Prates. 

Ainda rebatendo o ministro, sobre o numero positivo de contratações na GM, Prates diz que esta conta não fecha: "As demissões acontecem em um momento muito bom para empresa, de lucros. A única razão que podemos concluir para estas demissões é o aumento do lucro, que vai contra o interesse do país e dos trabalhadores. Eles querem, além de diminuir a folha de pagamento, realocar esta linha de produção para um local onde o trabalhador ganhe menos, desonerando a empresa", alega.

O Sindicato afirma que "vem alertando o governo para as demissões que ocorrem na montadora, mas até agora o ministro Mantega não se dignou a receber a representação dos trabalhadores para ouvir nosso ponto de vista. Deveria fazê-lo antes de se manifestar da forma que o fez no dia de hoje", conclui.