As estatísticas apresentadas
nesta terça-feira trouxeram uma boa noticia à Eurozona. Entre janeiro e março
deste ano, o PIB da zona do Euro se manteve no mesmo nível do último trimestre de 2011, quando todos os prognósticos apontavam para um novo retrocesso. Um
crescimento nulo não é grande coisa, mas é o suficiente para que o bloco se
esquive da recessão. Além disso, uma agradável surpresa foi protagonizada pela recuperação
da economia alemã, que cresceu inesperadamente 0,5%. O crescimento francês foi
nulo e a Espanha e a Itália decresceram.
O crescimento do PIB alemão foi realmente inesperado. Especialistas consultados pela emissora Bloomberg previam uma alta de 0,1% na segunda-feira (14). Na última semana, a Comissão Europeia acreditava na estagnação do crescimento. O Escritório Federal de Estatísticas alemão (Destatis) não foi muito específico ao explicar as causas do comportamento econômico da Alemanha, destacando apenas que a demanda interna e as exportações haviam compensado a debilidade do investimento empresarial.
A economia alemã costuma ser fonte de boas notícias para o bloco europeu, tendo se protegido muito melhor da crise que as demais grandes economias europeias. A contenção salarial e a supremacia de sua indústria lhe permitiram aproveitar o pull das economias emergentes. Agora, a recuperação do poder aquisitivo de alguns grupos está propiciando uma melhora na demanda interna.
A crise é, cada vez mais, uma história de contrastes: a queda da economia dos países desenvolvidos é ofuscada pelo notável crescimento das nações emergentes. O ritmo que marca os Estados Unidos (crescimento de 0,5% no primeiro trimestre) deixa a zona do Euro em evidência. E, dos 17 membros, a potência locomotora alemã, que concentra 27% do PIB do euro, tem bastado para compensar os resultados negativos de boa parte do bloco.
Segundo a Eurostat (serviço de estatística da Europa), ao menos um terço dos países da zona do Euro segue em recessão. O crescimento da França, segunda maior economia do bloco, está estagnado. Como previsto, Itália e Espanha sofreram com os efeitos da desconfiança dos mercados, com queda de 0,8% e 0,3%, respectivamente. Na Itália, foi a indústria exportadora que levou o pior golpe. Na Espanha, a falta de mercado de trabalho motivou o decréscimo.
A análise das estatísticas do primeiro trimestre confirma que a Holanda e o Reino Unido também se encontram em recessão. E aponta outro dado igualmente inesperado pelos especialistas: a Bélgica registrou crescimento de 0,3%.
* Com informações do El País