Petrobras: "foco nos resultados e gestão técnica" de Graça Foster agrada mercado
A expectativa de uma gestão mais técnica e focada nos resultados foram as principais razões que animaram os mercados com a escolha de Maria das Graças Foster para a presidência da Petrobras. Na segunda-feira, 23, dia do anúncio, as ações da estatal avançaram mais de 3% e repercutiram até o dia seguinte.
Segundo o economista Julio César Insaurralde, da consultora Verax, o perfil técnico da nova gestora foi muito bem recebido pelos acionistas.
“A gestão de Graça Foster terá um compromisso maior com os resultados. Deve haver uma supervisão maior na gestão, acredito que maior controle orçamentário, com envio de relatórios, por exemplo. Ela se assemelha muito com a gestão da presidente Dilma, e isto é uma boa notícia para a empresa neste momento”, afirma Júlio César.

Insaurralde acredita que o conhecimento e a dedicação pela estatal também foram aspectos que animaram a bolsa de valores. Graça Foster é funcionária da Petrobras desde os 24 anos.
“Ela é uma tecnocrata, gosta de estar perto de tudo o que acontece, e conhece a Petrobrás como ninguém, sabe de todas as nuances da empresa, passou por crises, várias reviravoltas. Ela é praticamente um arquivo humano da estatal”, afirma.
Para o professor Ilson Paranhos, do curso de Engenharia de Petróleo da Escola Politécnica da UFRJ, o que animou os mercados foi a perspectiva de mudança na condução da empresa.
"Na verdade, a estratégia da empresa não muda, pois é pensada em termos longos, 20 anos. O que animou o mercado foi que, a partir de agora, a expectativa é de que a Foster irá nomear as diretorias com foco na experiência técnica para conduzir estas estratégias, e não mais em base política" aposta.
Ainda segundo Paranhos, o mercado sempre prefere uma profissional de carreira, que tenha conhecimento técnico, principalmente no caso da Petrobras.
"Ela tem todo o conhecimento da cadeia de produção, por exemplo. O mercado vê isso com bons olhos", completa.
A advogada Sônia Agel, ex-procuradora da Agência Nacional do Petróleo (ANP), acredita que, no cenário geral, a mudança é da saída de uma gerência política e financeira, para uma que prioriza a técnica e a objetividade na cobrança por resultados.
“A Foster adotará uma postura menos política, com indicações e postura mais técnicas para na gestão como um todo”, afirma Sônia.
A nomeação oficial de Maria das Graças Foster acontece no dia 9 de Fevereiro. Ela substitui José Sérgio Gabrielli, que ficou no cargo por sete anos.
Apuração: Carolina Mazzi
