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Mercado reage negativamente a renúncia de premier grego

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Após semana marcada por negatividade e instabilidade, hoje o tom pessimista continua, pois os investidores continuam receosos com o desenrolar da crise de déficit europeia. Na Grécia, ontem, o primeiro-ministro, George Papandreou, renunciou ao cargo após muitas pressões da União Europeia, e uma nova coalizão foi formada. 

Esse novo grupo terá a responsabilidade de implementar novas medidas de austeridade, com finalidade de garantir que o país continue recebendo ajuda financeira europeia, além de continuar a fazer parte da zona do euro, evitando um calote desordenado.

Segundo o analista financeiro, Geroge dos Santos, economista da Futura Investimentos, mesmo com a notícia positiva vindo da Grécia, as atenções se voltaram para a crise de déficit italiana. Amanhã, a Câmara Baixa do Parlamento do país deverá votar as medidas orçamentárias, e caso essas medidas não forem aprovadas, Berlusconi poderá mais uma vez passar por um voto de confiança.

“O foco do problema estava na Grécia. Após a renúncia de Papandreou, o foco passou a ser o déficit fiscal na Itália. Quando for encontrada uma solução para este problema, provavelmente Portugal e Espanha serão questionados sobre a mesma problemática”, explica o economista.

Quanto aos indicadores econômicos, na Zona do Euro foram divulgados os índices das vendas no varejo de setembro, que ficaram em queda de 0,7% na comparação mensal, abaixo do esperado de queda em 0,1%. Na comparação anual o índice mostrou recuo de 1,5% contra esperado pelo mercado de queda em 0,5%. Já na Alemanha foi divulgado o indicador de produção industrial de setembro, que ficou em queda de 2,7% contra esperado de queda em 0,9% na comparação mensal, na comparação anual o índice avançou 5,4% contra esperado pelo mercado de alta em 7,2%.

Início de semana com os mercados negativos. No Japão, a bolsa encerrou em baixa de 0,4%, com o cenário corporativo deixando investidores apreensivos, já que diversas empresas divulgaram balanços decepcionantes, além de projeções pessimistas de resultados futuros. Na China as ações caíram com as especulações de que não haverá alívio monetário no país, mesmo com a desaceleração econômica em curso.  O pessimismo nos mercados asiáticos continuou mesmo após a divulgação de um acordo grego para formação um novo governo, após a renúncia do primeiro-ministro.

Hoje a agenda norte-americana terá apenas um destaque: às 18h será divulgado o crédito ao consumidor de setembro, com esperado em US$ 5,200 bilhões. 

Na agenda local o destaque ficou com o boletim Focus, que apontou que a estimativa de inflação deste ano (IPCA) ficou inalterada em 6,50% e para 2012, regrediu de 5,60% para 5,57%, em um patamar distante do centro da meta de inflação para 2012, que é de 4,50%. Além disso, o relatório demonstrou que a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional recuou de 3,29%, para 3,20%.

No mercado interno, o Ibovespa deve seguir a tendência dos mercados internacionais, que operam na expectativa com a votação alemã que ocorrerá amanhã, o tom de alívio vindo da Grécia ainda poderá influenciar positivamente os mercados caso os investidores entendam que o orçamento será aprovado amanha na Itália. Os receios de que a China não comece a aliviar a sua política monetária ajudaram a trazer mais peso sobre as ações do país, podendo também influenciar os negócios por aqui.“O Ibovespa deve abrir com queda. Porém, assim como aconteceu na sexta-feira, acredito que o Ibovespa deve se recuperar ao longo do dia e se diferenciar dos mercados internacionais. Hoje, se compararmos o principal índice acionário brasileiro aos índices globais, estamos demonstrando mais equilíbrio e força”, conclui George.