ASSINE
search button

Ministro do Desenvolvimento: mercado vive últimos anos do dólar como referência

Compartilhar

Em audiência pública na manhã desta terça-feira na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, afirmou que o mundo vive "os últimos anos" do dólar como moeda de troca internacional. Para Pimentel, a falha do governo americano (e outras economias consolidadas) em conseguir driblar os efeitos da crise financeira internacional contribui para essa previsão. 

 "O dólar ainda é a moeda de troca mundial, mas crescentemente perde a credibilidade, haja visto as sucessivas crises financeiras e o evidente enfraquecimento orçamentário e fiscal dos EUA. Estamos vivendo talvez os últimos anos do dólar como moeda de troca internacional. Começa-se a discutir com seriedade a substituição do dólar como padrão monetário. É uma mudança que está apenas começando, mas é irreversível", disse. 

O ministro afirmou que a troca da moeda padrão internacional é uma das três mudanças pelas quais passa o mercado consumidor no planeta. Além disso, Pimentel destacou a concorrência dos produtos chineses, que são vendidos em todo o mundo a preços inferiores ao custo de produção. 

"A China é capaz de produzir qualquer coisa a custos inferiores do que o valor de produção, isso nunca aconteceu na história da humanidade. Todos os países conquistaram sua hegemonia econômica conquistando um terço, um quarto do comércio, mas nunca a totalidade. Isso coloca um novo paradigma, nós, países industrializados, ainda não sabemos como responder a essa nova ordem mundial". 

Outra mudança, segundo Pimentel, pesa a favor do Brasil, que é a transformação da população em um ativo econômico importante, à medida que essas pessoas passam a ter mais condições de consumir. "Hoje, o mercado americano e da comunidade europeia de consumo, que foram campeões da demanda e da dinâmica econômica do século 20, perderam totalmente a sua capacidade de expansão. Percebemos que a dinâmica do mundo é dada pela expansão dos mercados dos países emergentes, como China, Brasil, África do Sul e Índia", disse. 

Por todas essas mudanças, o ministro do Desenvolvimento diz acreditar numa mudança do eixo geoeconômico - antes dominado pelo hemisfério norte - para os países situados abaixo da Linha do Equador. "O norte, que durante o século 20 ditou a economia do mundo, perde a sua importância. A economia gira abaixo da linha do equador. É esse deslocamento que chama a atenção, tudo indica que em pouco tempo, o deslocamento também será político", alertou.