O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcio Holland, admitiu nesta segunda-feira que a crise financeira que se agravou no cenário internacional desde a última sexta-feira pode afetar o mercado brasileiro. Durante um debate no seminário sobre políticas públicas para a nova classe média, em Brasília, Holland destacou, no entanto, que o mercado interno brasileiro tem espaço para absorver os impactos que a crise pode ocasionar no País.
"Obviamente crises financeiras afetam as classes sociais menos favorecidas e afetam mercado de crédito, de consumo. Mas nós tivemos uma expansão de crédito às famílias de 26% do PIB (Produto Interno Bruto) para 46% do PIB, e muitos começaram a alegar que o Brasil passava por dificuldades, por uma bolha de crédito, no mercado imobiliário. A dívida das famílias brasileiras corresponde a 46% da sua renda, enquanto que nos Estados Unidos, isso corresponde a 128%. E mesmo com a expansão de crédito doméstico, ainda há margem para expansão no Brasil", disse.
Holland lembrou que o mercado interno ajudou a minimizar os impactos da crise mundial de 2008 e defendeu o aumento do acesso a crédito dado às famílias nos últimos anos. "O governo vem acompanhando a expansão do crédito. O fato de a gente ter desenvolvido essa classe média nesse momento atual e nas expectativas que temos se tornou uma grande arma pra economia brasileira. Intencional ou não, esse adensamento do mercado doméstico e do mercado de trabalho se tornou extremamente importante para lograr taxas de crescimento mesmo com a deterioração do cenário internacional", afirmou.