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Mantega: mercados perderam a confiança na recuperação global

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O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta segunda-feira que, diante do agravamento da situação econômica de alguns países da Europa e do rebaixamento da qualificação da dívida dos Estados Unidos pela agência Standard & Poor's, os mercados "perderam a confiança" na recuperação global. Para o ministro, que fez um relato da situação econômica global à presidente Dilma Rousseff, é preciso estancar a "sangria" das bolsas ao redor do mundo. Nesta segunda a Bovespa desabou 8,08%, fechando a 48.688 pontos.

"O Brasil não está no epicentro da crise, porém nos sofremos as consequências da crise. É claro, nós temos a experiência toda que nos adquirimos em 2008, uma experiência bem sucedida e temos instrumentos prontos que não tínhamos naquela época e vamos colocar esses instrumentos para funcionar. Tudo isso é prematuro porque eu não acredito que haja um agravamento, mas, se houver, nós temos que estar preparados. Se houver, o Brasil está preparado. Porém não está imune e haverá consequências sobre o Brasil, menores do que em outros países. Por isso temos que estar prontos para reagir", disse o ministro.

"Armamento não falta. Haverá consequências. Porém, elas serão minimizadas aqui. Eu não quero me antecipar porque pode ser que tudo isso acabe esta semana ou não haja um agravamento nos próximos dias e os mercados melhorem. O mercado depende muito da confiança restabelecida", afirmou.

Fazendo uma analogia com a escala Richter, que mede a intensidade de tremores de terra e que os equaciona em um patamar de um a nove, o atual crise mundial está no nível de 2,2 pontos. "Nos países avançados a crise nunca terminou. A crise muda de face. Mas ela continuou, ela não terminou e hoje ela está, eu diria assim, em algo como 2,2 na escala Richter. Em 2008, chegamos a 8,8 na escala Richter. Espero que ela não vá adiante. Se ela não for adiante, temos condições de manter todas as variáveis econômicas, crescimento, inflação sob controle. Se houver uma piora, uma deterioração, evidentemente que temos que avaliar o quadro. Mas estaremos reagindo de modo a não nos deixar atingir ou que sejamos atingidos o mínimo possível. Eu preciso estar diante do problema para dar a solução", disse o chefe da Fazenda.

Para o ministro, a situação brasileira, ainda que não "imune", é melhor que outros países, uma vez que existe um mercado interno forte, com demanda aquecida. "O que nós temos é que garantir que essa demanda seja usada para o produtor brasileiro, com a mão-de-obra brasileira. Por isso temos tomado medidas para fortalecer as empresas", afirmou, criticando como "forçação de barra" a postura da agência de classificação de risco Standard & Poor's, que rebaixou o patamar de AAA para AA+.

"Acho que houve uma forçação de barra nesse rebaixamento da Standard&Poors. Alguns acham que houve até mais uma avaliação política que econômica. A moeda americana, embora já tenha passado por períodos melhores, continua uma moeda sólida. Eu confio na solidez da moeda americana. É claro que eles têm que resolver vários problemas, problema de dívida, de déficit, mas o principal problema que eles têm que resolver é a recuperação econômica, é o dinamismo da economia, porque quando a economia não cresce, a economia patina, só a dívida cresce, e o desemprego continua. Esta é a equação que tem que mudar", disse.

Guido Mantega condenou ainda a morosidade dos governos europeus e americano no enfrentamento da crise, uma "situação crônica" em sua avaliação. "Os europeus têm que se apressar, parar de bater cabeça. Eles estão batendo cabeça, cada um quer uma solução e não se resolvem a dar uma solução mais forte para a questão das dívidas europeias. E aí o problema vai se agudizando. Há uma percepção de que a economia mundial, principalmente os países avançados, pode caminhar para uma recessão, ou seja, uma não-recuperação que caminhe para uma economia semiestagnada. É isso que motivou em parte essa debandada das bolsas e essa desconfiança. Os países avançados não vão se recuperar tão brevemente, vão demorar para se recuperar", disse.