O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quarta-feira, por quatro votos a um, a fusão entre Sadia e Perdigão, que deu origem à Brasil Foods (BRF), maior produtora de alimentos processados do país.
A sessão de julgamento da fusão começou com uma hora de atraso para que fosse finalizado o acordo entre BRF e Cade, que possibilitou a aprovação do negócio.
O acordo prevê a suspensão da venda de produtos da marca Perdigão, entre eles presunto, pernil, tender, linguiça e paio (3 anos), salame (4 anos) , lasanhas, pizzas e congelados (5 anos).
Além disso, a Batavo terá que suspender a venda, por quatro anos, de produtos derivados de carnes processadas, entre eles hamburgueres e salsicha. A BRF também fica obrigada a alienar cadeias completas de produção, incluindo dois abatedouros de frangos e outros dois de suínos.
Ontem, os conselheiros do Cade já haviam sinalizado, na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados, que haveria acordo para aprovar a fusão entre os frigoríficos Perdigão e Sadia, firmada em 2009. O acordo, segundo os representantes, está em andamento, mas ajustes ainda precisam ser feitos.
“O Cade tem sido sensível aos nossos argumentos. Amanhã temos sessão em andamento e esperamos que haja solução que preserve a Brasil Foods”, disse Wilson de Melo Neto, que representou a holding resultante da fusão na audiência. Ele informou que a empresa buscava uma solução que permitisse a continuidade do negócio “sem esquecer funcionários, acionistas e consumidor, que é a razão principal da existência da BrFoods”.
Melo Neto expôs dados sobre a empresa e negou que haverá demissões ou aumento de preços por causa da fusão, mas não quis dar informações sobre os termos do acordo que foi costurado com o Cade. “Por força de lei, a negociação é confidencial e não posso falar sobre temas sensíveis”, explicou.
O procurador-geral do Cade, Gilvandro Vasconcelos, disse que o órgão é sensível à abrangência da operação e à importância da empresa, mas que “todos os interesses defendidos pela empresa devem ser sopesados [contrabalançados] com eventuais prejuízos e dificuldades que consumidor pode ter com a operação”. Também disse que a operação precisa ter um desenho melhor, com mais restrições, e que algumas informações confidenciais precisam ser abertas.
A confidencialidade de informações foi motivo de crítica do deputado Ivan Valente (P-SOL-SP), um dos que convocaram a audiência pública. “Não podemos fazer audiência de faz de conta. Como a negociação é secreta, não temos nada que fazer aqui”, reclamou. O julgamento do ato de concentração no Cade começou no início de junho, mas foi suspenso por um pedido de vista após um voto duro do relator, Carlos Ragazzo, contra a fusão. Ele afirmou que a operação traria danos irreversíveis para o consumidor e que a compra dos ativos da Sadia pela Perdigão não era a única saída para a crise financeira da empresa.
Com agência AFP e Portal Terra