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Sábado, 21 de Julho de 2018 Fundado em 1891

Cultura

Exposição no museu Victoria & Albert homenageia Dior

Jornal do Brasil IESA RODRIGUES, Especial para o JB

A folclórica rivalidade entre ingleses e franceses faz um desvio quando se trata da moda. Além das contribuições de profissionais britânicos nas grandes maisons francesas, como John Galliano e Alexander McQueen, vem aí mais uma prova da consideração do Reino Unido pelo talento de Christian Dior: em fevereiro será aberta a exposição “Christian Dior: Designer of Dreams”, no famoso Victoria & Albert Museum, atualmente mais conhecido como V&A, em Londres.

Desde o começo

A admiração começou cedo, o V&A já comprava os croquis e trajes do francês desde 1950. Segundo Oriole Cullen, curador de moda e têxteis do museu, “em 1947 Dior mudou o rosto da moda com seu New Look, que redefiniu a silhueta feminina e revigorou a indústria da moda de Paris no pós-guerra. A influência do seu design foi ampla e ajudou a definir uma era”.

Belo vestido vermelho, da Alta Costura dos anos 1950, integrante do acervo do V&A

Mas não parou por aí o fascínio inglês. Quando a princesa Margaret celebrou seus 21 anos, vestiu um modelo da Alta Costura de Dior. Margot Fonteyn, bailarina do Royal Ballet, também era cliente frequente.

Em contrapartida

Em compensação, o grande estilista sempre que podia afirmava seus amores pelo outro lado do canal da Mancha, sem diminuir a França. “Não há outro país no mundo, além do meu, cujo estilo de vida eu goste tanto. Amo as tradições inglesas, a educação inglesa, a arquitetura inglesa. Gosto até mesmo da culinária inglesa” , costumava dizer. Gostava também das casas e jardins, dos transatlânticos e dos alfaiates de Saville Row.

A exposição, que reinterpreta a anterior Dior: “Couturier du rêve”, vista em Paris em 2017, mostrará as colaborações criativas do francês com manufaturas britânicas, vai lembrar a inauguração da primeira filial em Londres, em 1952 e os desfiles em locais de prestígio, como o Blenheim palace, em 1954.

Os sucessores

Entre os mais de 500 ítens da mostra figurarão cerca de 200 trajes, incluindo o icônico Bar Suit, que deu origem à expressão New Look, inventada por jornalistas americanas. São peças de coleções assinadas também pelos sucessores na Maison: nos anos 1960, Yves Saint Laurent, antes de abrir a própria grife; Marc Bohan, que deu um sentido mais comercial; Gianfranco Ferré, o italiano mais barroco; as maravilhas de John Galliano, que realmente reviveu o glamour da marca, depois de comprada pelo grupo LVMH nos anos 1990. Depois veio o minimalismo do belga Raf Simons e atualmente Dior tem como diretora de criação a talentosa Maria Grazia Chiuri, egressa da parceria na Valentino com Pier Paolo Piccioli. 

Dior no ateliê de Paris, com a modelo Lucky

 Tim Reeve, diretor do V&A antecipa: “Christian Dior: Designer of Dreams celebra um dos designers mais geniais da história da moda. Reimaginando a exposição altamente popular feita antes em Paris _ assim como a maior exposição de moda que o V&A realizou desde Alexander McQueen: Savage Beauty _ ela vai jogar uma nova luz sobre o fascínio de Dior pela Inglaterra. O V&A possui uma das mais completas coleções de moda do mundo, e estamos felizes de poder revelar destaques do nosso acervo assim como dos notáveis arquivos a Maison Dior, para esta exposição espetacular”.

Christian Dior: Designer of Dreams estará na galeria Sainsbury do V&A (Londres) de 2 de fevereiro a 14 de julho de 2019. A entrada no V&A é gratuita, mas certas galerias, como a Sainsbury, cobram ingressos. Para esta exposição, estarão à venda a partir do outono deste ano.



Tags: caderno b, cultura, dior, exposição, moda

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