Jornal do Brasil

Quinta-feira, 11 de Abril de 2013

Cultura

Cinema - Festival de Cannes

Jornal do BrasilCarlos Helí de Almeida

CANNES – Três anos depois de ganhar a Palma de Ouro com A fita branca, o diretor austríaco Michael Haneke repetiu o feito com Amour, consagrado como o vencedor do prêmio máximo do 65º Festival de Cannes, em cerimônia  realizada no início da noite deste domingo (27).

Progatonizado por Jean-Louis Trintignant e Emmanuelle Riva, o filme fala sobre o drama de um octogenário que assume a responsabilidade de cuidar da esposa depois que ela sobrevive a uma série de derrames que a deixam inválida. “Durante muito tempo fui acusado de ser um especialista em violência. Desta vez mudei de assunto”, brincou o realizador de 72 anos, autor de filmes como A professora de piano (2001) e Violência gratuita (2007).

O júri presidido pelo diretor italiano Nanni Moretti premiou duplamente a produção romena Beyound the hill, de Christian Mungiu, outro favorito dos jornalistas que cobriam o festival. O drama sobre duas jovens amigas órfãs confrontadas com os dogmas de um convento cristão ortodoxo levou os prémios de roteiro e interpretação feminina, dividido entre as protagonistas Cosmina Stratan e Cristina Flutur.

É o primeiro trabalho das atrizes romenas em cinema. “Entrei nesse negócio sem experiência alguma, só sabia que deveria fazê-lo”, contou Cristina, jornalista por formação. “Este prêmio vai ajudar a chamar a atenção do público para o filme”, agradeceu Mungiu, que saiu da edição da edição 2007 do Festival de Cannes com a Palma de Ouro, por 4 meses, 3 semanas e 2 dias.

O prêmio de melhor ator foi para Mads Mikkelsen, o vilão de 007 – Cassino Royale, que interpreta um professor de jardim de infância acusado de abusar sexualmente de seus alunos no drama The Hunt, do dinamarquês Thomas Vinterberg. “Foi uma surpresa para mim. Havia muitas outras grandes performances na seleção. Mas estou tocado com o reconhecimento”, contou o ator.

Uma das surpresas da premiação foi o prêmio de direção para o mexicano Carlos Reygadas, autor de Post tenebras lux, um dos títulos mais vaiados pelos jornalistas. O filme fala sobre um casal que se muda da cidade grande para o interior e lá enfrenta os fantasmas das diferenças entre classes sociais mexicanas. “Agradeço aos jornalistas que odiaram o meu filme e também àqueles que o amaram. As duas opiniões são muito importantes para o longa”, disse Reygadas na coletiva com os vencedores.

Tags: cinema, cultura, entretenimento, França, Prêmios

Compartilhe:

Tweet

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.