Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Abril de 2017

Cultura

Iphan inaugura mostra sobre prédio histórico da Avenida Rio Branco

Jornal do Brasil

Depois de cinco anos sem receber uma exposição, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do Rio abre a sinuosa porta de entrada do edifício da Avenida Rio Branco, onde funciona a superintendência do instituto - um dos últimos da primeira fase de construções da avenida - para uma mostra sobre o prédio. Inicialmente, o local abrigou a Companhia Docas de Santos. Projetado pelo engenheiro paulista Ramos de Azevedo, o edifício foi construído entre os anos 1905 e 1908, na antiga Avenida Central, em comemoração ao centenário da abertura dos portos do Brasil. O imóvel foi tombado pelo Iphan em 1978 por sua importância histórica e artística.

Todo ornamentado com motivos náuticos, cartas escritas a André Gustavo Paulo de Frontin, engenheiro chefe da Comissão de Construção da Avenida Central, provam a grande quantidade de material nobre usado na construção do número 46 da avenida que introduziria o conceito de modernidade à cidade: só para o primeiro pavimento foram utilizadas 129 caixas de mármore lavrado vindo da Itália.

"O prédio que sediou a Companhia Docas de Santos é de grande importância para a história e a arquitetura do Rio. Mostrar sua história e utilizá-lo como local de exposição é uma grande iniciativa", observa o diretor do CPDoc JB Humberto Tanure.

A fachada é revestida de granito predra-de-galho, retirado do Morro da Viúva. Elementos náuticos, como navios e deuses gregos, ornamentam a frente do prédio, que mistura influências dos estilos barroco, rococó e clássico. A marcante porta de entrada, feita em jacarandá maciço pela renomada marcenaria do português Manoel Tunes, tem 4,3 metros de altura e 2,3 de largura, e até hoje é estudada por profissionais da arquitetura. Com influência barroca, é repleta de entalhes retratando navios e diversos tipos de vegetação, como folhagens de palmeiras, cana-de-açúcar e frutos de café.

“É um prédio histórico, tombado. Queremos levar à população a história deste endereço, que, além de ser lindo arquitetonicamente, está diretamente ligado à história da cidade”, diz Anne Meyer, responsável pela mostra.

A exposição

A exposição itinerante “Edifício Docas de Santos” aproveita o grande pé direito da sala de exposição para reunir documentos, fotos e até uma maquete que remontam a história deste importante marco arquitetônico. São mais de trinta painéis contendo textos e fotos de época, além de um ensaio feito especialmente para a ocasião, explorando a plasticidade dos detalhes arquitetônicos e artísticos.

"São diversos painéis, cada um falando sobre um aspecto específico do prédio. Procuramos contar um pouquinho sua história, destacando aspectos como a porta principal, as três francesas, o material de metal das dobradiças, a escadaria, o elevador, que é da época e ainda funciona", explica Anne.

Concebida para a reinauguração da sala de exposições do Iphan/RJ, a mostra Edifício Companhia Docas de Santos ficará aberta ao público a partir de 26 de março, de segunda a sexta-feira, das 9 horas às 17h30min, com entrada franca.

Tags: Abertura, avenida central, companhia docas de santos, imóvel, patrimônio histórico, portos, ramos de azevedo, tombado

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