O cinema asiático foi o grande destaque desta quarta-feira (15), sétimo dia de competição da 62ª edição do Festival de Berlim, cujos vencedores serão conhecidos na noite de sábado, 18. A programação do dia começou poética com a exibição de Postcards From the Zoo, produção da Indonésia do diretor conhecido apenas como Edwin, sobre uma menina que cresceu dentro de um zoológico de Jacarta, a capital do país.
“Gosto dos zoológicos desde a infância. Quando se vai a um lugar como esse, encontramos uma sensação de solidão indescritível. Ainda mais numa cidade grande como Jarcarta. A vida num lugar tão supervoado como aquele é como a de um zoológico: é tudo uma questão de quem está observando e quem está sendo observado”, comparou o diretor, justificando a escolha do principal ambiente de seu longa-metragem.
A trama descreve a história de Lana (Ladya Cheryl), abandonada pelo pai e criada pelos funcionários do zoológico local. Ela só deixará o convívio dos animais quando se apaixona por um mágico vestido de caubói (Nicholas Saputra), acompanhando-o em apresentações em especuncas e casas de massagem eróticas da região. “O primeiro contato entre os dois namorados acontece pelo tato”, observou o diretor.
Na sequência, o épico Bai Lu Yuan (ou White Deer Plain, no título internacional), de Wang Quan’an, apresentou a plateia berlinese à um período importante da história recente da China, a partir do ponto de vista de duas famílias de uma província do interior do país. O novo filme do diretor de O Casamento de Tuya, vencedor do Urso de Ouro de melhor filme no Festival de Berlim de 2006, é baseado no romance homônimo de Chen Zhongshi e cobre as grandes transformações sociais do país ao longo do século 20.
“Acho que o livro de Zhongshi, que foi banido por anos por suas descrições explícitas de sexo, nos ajuda a entender o que nós, chineses, somos hoje, por causa das transformações, que começaram no início do século passado, com o final do período imperial”, explicou o diretor. “Tradições podem ser destruídas, mas a China está sempre tentando encontrar maneiras para evitar isso. O comunismo, por exemplo, foi uma solução, uma escolha para o povo chinês”.