BERLIM - Keep the lights on, de Ira Sachs, integra a Panorama da 62ª edição do Festival de Berlim, a principal paralela do evento. O filme está vindo do Sundance, onde foi apresentado na competitiva de dramas americanos e onde Sachs teve muito sucesso em 2007 com Forty Shades of Blue, que ganhou o Grande Prêmio do Júri na edição daquele ano.
Seu novo trabalho faz a crônica de uma viagem sexual e emocional, através do amor, vicio e amizade de dois homens. O roteiro foi escrito por Sachs e pelo brasileiro Maurício Zacharias (que tem no currículo, entre outros Madame Satã e O Céu de Suely, ambos dirigidos por Karin Ainouz).
A história de Keep the lights on segue
o documentarista Erik e o advogado
introspectivo Paul que se encontram casualmente, descobrem uma profunda conexão
e se tornam um casal.
Individualmente e juntos, se arriscam compulsivamente em caminhos alimentados por drogas e sexo. Num relacionamento de quase uma década definido por altos e baixos, e padrões disfuncionais, Erik luta para não ultrapassar seus próprios limites de dignidade e ser autêntico, inclusive com ele mesmo.
Sachs diz
que, inspirado por diretores como Bergman, Cassavetes, Jean Eustache e
outros que realizaram um tipo muito pessoal de cinema, ele queria
fazer um filme que abordasse um intricado e delicado relacionamento entre duas
pessoas.
“Eu queria
fazer o filme sem sentir vergonha e sem julgamentos, mas com paixão, humor e amor. O que coloca duas pessoas juntas quando
tantas outras forças como drogas, sexo,
segredos, mentiras, pode separá-las? O filme é
o meu Cenas de um casamento”, diz Sachs se referindo ao clássico
do diretor sueco Ingmar Bergman.
O
personagem, expresso pelo corajoso
roteiro, é interpretado pelo ator
dinamarquês Thure Lindhardt, que encarna o isolamento e a vulnerabilidade de
Eric com muita suavidade.
Doloroso,
romântico e intelectual, Keep the lights on é um filme comovente e olha para o amor em
todas as suas manifestações, levando-o às profundezas mais sombrias e
trazendo-o de volta para um lugar com
luminosidade.
O diretor conta que começou a fazer filmes
nos anos 90, poucos anos depois de ter descoberto “o cinema”, quando ficou três meses em Paris e viu mais de 100 filmes
por dia.
Sobre o caráter biográfico, diz que fazer filmes é sempre uma de autobiografia. “Mesmo quando se trata de uma ficção, todos os meus filmes são uma evocação de memória”, afirma.
Engajado na
causa dos homossexuais, o trabalho mais
recente de Sachs é o curta-metragem Last Address, homenageando um grupo
de artistas que morreram de Aids em Nova York.