Com a Primavera Árabe em pauta, começa o festival de Berlim
Sempre antenado com as transformações do mundo, a 62ª edição do Festival de Berlim começa nesta quinta-feira, dia 9, com Les adieux à la reine, drama de época sobre os dias que antecederam à Revolução Francesa (1789). Dirigido pelo francês Benoit Jacquot e estrelado pela alemã Diane Krüger (de Bastardos inglórios, de Quentin Tarantino), o filme é narrado do ponto de vista dos empregados do palácio real de Versalhes, temerosos com a chegada dos revoltosos.
O título de abertura da maratona, que termina dia 19, dá o tom da programação deste ano, que distribuiu por suas diversas mostras títulos que refletem o espírito dos levantes sociais que se espalharam pelo mundo. “O Festival de Berlim tem uma tradição fortemente política e, portanto, é nossa obrigação mostrar filmes que espelhem o importante momento que vivemos”, disse Dieter Kosslick, diretor artístico do evento, ao anunciar a seleção.

Documentários sobre o artista plástico Weiwei, preso e censurado pelo governo chinês, e sobre as consequências sociais do tsunami seguido de vazamento nuclear no Japão, no ano passado, conferem atualidade à seleção alemã. A americana Angelina Jolie contribui para as causas sociais com In the land of blood and honey, drama ambientado durante a Guerra da Bósnia, nos anos 90, que marca a estreia da atriz na direção de longas-metragens.
Os novos realizadores predominam na competição principal, que reúne produções da Espanha, Dinamarca, Chiina, Filipinas, Canadá, Indonésia, França e Alemanha. Premiados em Cannes, os veteranos italianos Paolo e Vittorio Taviani (Pai patrão) voltam ao circuito de festivais internacionais com Cesare deve morire. O diretor filipino Brillante Mendonza concorre com Captive, drama sobre turistas sequestrados por terroristas estrelado pela francesa Isabelle Huppert. O Brasil tem uma participação discreta, como um dos coprodutores, da produção portuguesa Tabu, dirigido por Miguel Gomes.
A participação 100% brasileira está garantida na mostra Panorama, a mais importante paralela do evento, que selecionou Xingu, de Cao Hamburger, sobre a saga dos irmãos Villas-Boas em territóriso indígenas, e o documentário Olhe para mim de novo, de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla, sobre identidade sexual. A seleção de curtas inclui Licuri surf, de Guile Martins. Os atores Caio Blat e João Miguel, protagonistas do filme de Hamburger, são presenças esperadas em Berlim, ao lado do diretor.
Também não faltarão astros de Hollywood nos tapetes vermelhos da Berlinale, como o festival alemão é carinhosamente conhecido. A atriz Meryl Streep receberá um Urso de Ouro honorário, pelo conjunto de sua carreira, e prestigiará a projeção de A Dama de Ferro, no qual interpreta a ex-primeira ministra britânica Magareth Tatcher, papel com o qual concorre ao Oscar de melhor interpretação feminina deste ano.
Uma Thurman e Kristin Scott Thomas são presenças esperadas na projeção especial de Bel ami, de Declan Donnellan e Nick Ormerod, em filme protagonizado por Robert Pattinson – o astro da franquia "Crepúsculo". Michael Douglas, Antonio Banderas e Ewan McGreggor também são aguardados para a noite de gala de A toda prova, novo thriller de Steven Sodebergh (Onze homens e um segredo). Fora das atividades oficiais do festival, Berlim também abrigará ao lançamento de Rush, de Ron Howard, cinebiografia do piloto de fórmula um Niki Lauda, a ser estrelado por Olivia Wilde (da série House), Chris Hemsworth (Thor), e Russell Crowe (Gladiador). O festival termina dia 19 com o anúncio dos vencedores, escolhidos pelo júri presidido pelo realizador britânico Mike Leigh (Segredos e mentiras).
