O ator Hugh Grant atacou ferozmente os tabloides britânicos nesta segunda-feira, alegando, durante um inquérito, que escutas telefônicas foram usadas por um jornal, que não pertence a Rupert Murdoch, e que seu apartamento teria sido arrombado para que os tablóides conseguissem notícias.
Em um dramático primeiro dia das investigações sobre ética na imprensa britânica, os pais da estudante morta Milly Dowler também disseram que o News of World de Murdoch deu a eles falsas esperanças de que a menina estava viva ao deletar algumas de suas mensagens de celular.
Grant, mais conhecido por seus papéis cômicos em filmes como "Um Lugar Chamado Notting Hill", acusou o jornal The Mail on Sunday (MoS) de publicar uma história do relacionamento dele com a socialite Jemina Khan, em 2007, que ele acredita ter sido obtida por escutas.
Durante seu depoimento, que foi televisionado ao vivo, Grant encorajou os britânicos a se rebelarem contra o comportamento "covarde" do que ele chamou de "indústria da invasão de privacidade".
"O mais chocante é terem permitido que isso fosse adiante e por tanto tempo, sem que ninguém erguesse as mãos e dissesse chega", disse ele, acusando o jornal de intimidar a polícia, parlamentares e o governo.
A alegação de Grant contra o The Mail on Sunday, do grupo Associated Newspapers do Reino Unido, foi a segunda afirmando que o News of the World de Murdoch não era o único envolvido nas escutas telefônicas.
Grant disse que a história - pela qual ele ganhou uma indenização por calúnia, mais tarde - dizia que seu relacionamento com Khan estava por um fio e que ele estava tendo conversas telefônicas tarde da noite com "uma executiva de estúdio com uma voz baixa e típica das classes mais altas".
"Eu adoraria saber qual era a fonte deles, só podia ser uma escuta telefônica", disse ele, enquanto admitia não ter nenhuma prova concreta para a alegação.
Em uma declaração, o porta-voz do tabloide disse que eles "refutam completamente" as acusações, que são "calúnias provocadas pelo ódio que Grant tem da mídia".
Grant também acusou outro tabloide, o Daily Mirror, de Trinity Mirror, de acessar seus históricos médicos.
Um promotor disse, na semana passada, que o Mirror estava listado entre os notebooks confiscados pela polícia do detetive particular Glenn Mulcaire, que foi preso em 2007 por escutas telefônicas para o News of World.
Grant acrescentou que ele suspeita que a gravação irregular se seguiu à invasão de seu apartamento de Londres em 1995, pouco depois de ele ter sido preso em Los Angeles com uma prostituta.
Nada foi roubado na invasão, mas uma descrição completa do interior da propriedade apareceu posteriormente no jornal, disse ele, acrescentando que os detalhes podem ter vindo do ladrão, da polícia ou dos dois.
Grant também reclamou do assédio da imprensa à mãe do filho dele, a atriz chinesa Hong Tinglan, que recentemente foi favorecida por uma decisão da Suprema Corte proibindo o assédio contra ela ou sua criança.
O primeiro-ministro David Cameron iniciou o inquérito sobre ética na imprensa britânica em julho, depois das acusações contra o News of the World após as revelações de que as mensagens de voz de Milly Dowler foram hackeadas. Murdoch decidiu em seguida fechar o News of the World.
Os pais de Dowler Sally e Bob testemunharam antes de Grant, com a mãe dela descrevendo como eles ligaram repetidamente para o telefone celular da menina de 13 anos depois que ela desapareceu em 2002, mas a caixa de mensagem estava cheia e caía direto na mensagem automática.
Com a voz embargada, Sally Dowler disse que um dia ela ligou "e caiu na caixa de mensagens. Então eu ouvi a voz dela e foi então que eu comemorei e disse ''ela pegou as mensagens dela Bob, ela está viva!''"
Mulcaire foi preso junto com o ex-editor Clive Goodman do News of World em janeiro de 2007, depois de eles admitirem ter interceptado as mensagens de voz. A investigação do juiz Brian Leveson ouvirá esta semana outras supostas vítimas da intromissão da mídia, incluindo a atriz Sienna Miller, a autora do Harry Potter J.K. Rowling e Gerry McCann, pai da menina desaparecida Madeleine McCann.