Um grupo de 21 brasileiros de uma escola de inglês de Santo Antônio de Posse, interior de São Paulo, optou por uma ida à casa onde morava Amy Winehouse como seu último passeio antes de retornar ao Brasil hoje à noite.
"É uma oportunidade única. A morte da Amy está tendo muita repercussão e não custava nada passarmos aqui para prestar nossa homenagem à ela", disse a empresária Simone Bazzani, 35 anos.
Em intercâmbio cultural, o grupo de crianças, jovens e adultos, passou duas semanas entre Inglaterra, Escócia e França. Uma das três professoras acompanharam os estudantes, Adelina Santos, 37 anos, diz que muitos de seus alunos aprenderam inglês com as músicas de Winehouse. Fátima Garton, 31 anos, também professora, deixou flores. "Eu gostava da Amy, ela tinha uma voz boa, mas infelizmente aconteceu isso com ela", lamenta.
Brasileiros que moram em Londres também compareceram ao local. A estudante brasileira Laura Pimentel, 15 anos, conta que ficou em choque ontem ao saber da morte da cantora. "Ela foi uma das maiores cantoras e chorei ao saber da notícia", diz ela. A atendente de restaurante Jailma Pimentel, 39 anos, mãe de Laura, diz que Winehouse foi uma pessoa polêmica. "Gosto das músicas dela, mas ela como pessoa era muito doida", acrescenta.
Desde que se mudou para Londres, em março deste ano, a jornalista Ana Luisa Toleto, 26 anos, queria ir a um show de Winehouse mas nunca teve oportunidade. "Fiquei triste, que pena que não deu", diz ela.
A fonoaudióloga inglesa Claire Hudson, 26 anos, atraiu atenção dos fotógrafos que faziam plantão em frente à casa ao deixar, muito emocionada, flores e um cartão endereçado à família de Winehouse.
Hudson diz que a música de Winehouse a ajudou a superar momentos difíceis e a introduziu ao jazz e blues. "Amy Winehouse foi muito importante na minha vida e sou uma grande fã. Achei importante vir aqui, e conversar com outros fãs está me ajudando a superar isso", diz ela.
O caso
O corpo da cantora foi encontrado neste sábado (23) em seu apartamento, após o serviço de emergências ter sido chamado por volta do 12h (pelo horário de Brasília, meio da tarde em Londres). A suspeita é de overdose, segundo o tablóide britânico Daily News.
A polícia da região de Camden Square divulgou comunicado confirmando a morte. "Fomos chamados devido à descoberta de uma mulher morta. As circunstâncias da morte serão investigadas. Num primeiro momento, não sabemos explicar", encerrou a mensagem.
A carreira de Amy Winehouse foi marcada por escândalos e polêmicas, que, em sua maioria, envolviam problemas com drogas e alcoolismo. Por causa disso, em diversos shows foi vaiada, como em recente apresentação em Belgrado, na Sérvia, porque o público não entendia as músicas que ela estava cantando.
A última aparição pública da cantora foi na última quarta-feira (20), no iTunes Festival, em Londres. A cantora abraçou sua afilhada Dionne Bromfield e, ao microfone, pediu que as pessoas comprassem o álbum da adolescente, Good For The Soul, lançado este mês. Amy se apresentaria no festival TMN em agosto, mas devido aos problemas com álcool e drogas acabou sendo substituída pelo rapper Snoop Dogg.
A morte de Amy Winehouse aos 27 anos coloca ponto final em uma das mais inconstantes trajetórias da música contemporânea. Com talento vocal impressionante, a cantora britânica foi unanimidade em duas características opostas: talento e polêmicas. Com capacidade vocal inquestionável, suas performances eram apenas atrapalhadas por seu principal problema: o abuso de álcool e drogas.
Amy fez uma carreira repleta de músicas pessoais e cativantes, escândalos por seu comportamento e envolvimento com drogas e álcool. Nos últimos tempos, ela fez poucos shows e foi criticada pela indústria musical: além de desapontar alguns fãs ao fazer apresentações muito curtas, muitos especialistas afirmaram que sua potência musical, característica marcante da cantora, estaria menor.
No dia 18 de junho deste ano, Amy fez seu último show, em Belgrado, na Sérvia. A cantora mal conseguiu se apresentar porque estaria muito bêbada, chegou a derrubar o microfone no chão e teria sido vaiada pelo público. Após a malograda apresentação, Amy cancelou dois shows na Turquia e na Grécia, e, posteriormente, outras etapas de sua turnê europeia. Seus representantes alegaram "problemas de saúde".