Jornal do Brasil

Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

Colunistas - Comunidade em pauta

Quem paga o condomínio de Cabral?

Jornal do BrasilDavison Coutinho*

O Rio de Janeiro vive em um estado de crise, atraso de salários dos servidores, desemprego e cortes nos programas sociais. O carioca está sofrendo na carne os resultados do rombo milionário realizado pelo esquema de corrupção que Cabral é acusado de comandar junto a sua quadrilha que tomou conta do Rio. Uma quadrilha que envolvia desde a sua mulher até o Tribunal de Contas do Estado, órgão que deveria ser responsável por fiscalizar as contas do estado.

Os desvios foram todos milionários, mas mesmo com a prisão de Cabral e de membros de sua quadrilha, a injustiça é o sentimento que todos nós podemos ter. A começar pelas regalias oferecidas ao ex-governador no presidio, denunciadas pela revista IstoÉ: comida encomendada em restaurantes, roupas lavadas em casa, celas abertas, nada de uniformes e uma biblioteca para dormir com ar-condicionado, além de acesso à internet.

Prédio onde vive a família Cabral
Prédio onde vive a família Cabral

Um tratamento de hóspede VIP que nenhum morador de favela tem vivendo em suas casas e lutando para ganhar um salário mínimo, pagar o aluguel e sustentar a família. Um tratamento que foi oferecido também a sua mulher que além de toda mordomia na cadeia, recebeu recentemente o benefício da prisão domiciliar, aliás que bela prisão domiciliar.

Uma prisão domiciliar onde nenhum trabalhador, morador de favela jamais terá o privilégio de desfrutar. Um apartamento em um condomínio na Rua Aristides Espínola, no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, a pouco mais de 100 passos da praia. Em uma pesquisa na internet é possível encontrar anúncios de apartamentos próximos que custam em torno de R$ 6 milhões a R$ 10 milhões. Ou seja, a família Cabral continua a desfrutar de um padrão de luxo. E quem pagou e continua a pagar por essa conta?

O JB entrou em contato com a administradora do Condomínio, mas a empresa se negou a fornecer o valor cobrado de condomínio e também não informou como está a situação do pagamento do apartamento de Cabral e muito menos quem paga. A todos nós fica a dúvida: se os bens dele estão bloqueados, como a família continua a desfrutar de uma vida de luxo?

A revolta se alia ao sentimento de injustiça em viver em um país onde os pobres morrem nas filas dos hospitais e corruptos enriquecem. Sobre essas mortes eles acumulam riquezas e tiram o arroz e feijão da boca do pobre para sustentarem suas vidas de luxo. E o pior de tudo, mesmo depois de toda roubalheira, o estado continua a ser governado por gente deste mesmo time. Pior ainda, o Brasil é também governado por tal partido.

De uma coisa podemos ter certeza, pobre nenhum na favela tem nem mesmo a regalia que Cabral tem na cadeia e muito menos a de Adriana em seu apartamento na praia.

* Davison Coutinho, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestre em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade

Tags: artigo, brasil, comunidade em pauta, davison coutinho, rio de janeiro, sociedade

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