Jornal do Brasil

Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

Ciência e Tecnologia

Aumento do açúcar eleva o risco da doença de Alzheimer, diz médico

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A prevalência do diabetes em adultos acima de 18 anos aumentou de 4,7%, em 1980, para 8,5%, em 2014. A sua relação com complicações como cegueira, falência renal, infarto cardíaco, acidente vascular vertebral e amputação em membros inferiores já são notórias. Contudo, pouco se divulga sobre a relação do diabetes e o aumento do risco de demência, em especial a doença de Alzheimer, que leva a óbito 1/3 dos idosos, o que representa mais do que a soma do câncer de mama e de próstata juntos. Desde de 2000 as mortes em consequência de doenças cardíacas diminuíram 14% mas, a doença de Alzheimer teve um aumento equivalente a 89%. Ambas patologias - o Diabetes e o Alzheimer - aumentam juntos a sua incidência.

Um estudo de revisão, publicado em 2013 pela revista Journal of Diabetes Investigation, analisou 28 estudos, realizados em 89.798 diabéticos, para saber a incidência de Demência e Alzheimer em pacientes Diabéticos. O estudo conclui que, se o indivíduo for diabético há um aumento de 56% do risco de você ter Alzheimer. Entretanto, quando se avalia o risco de demência em geral, independente da etiologia, constatou-se um aumento do risco de 73%.

As evidências sobre o efeito deletérico do açúcar no cérebro não está relacionado somente ao diabético. Sabe-se que, mesmo naquelas pessoas que não são diabéticas que possuem níveis de glicose dentro normal mas no limite superior, denominados de pré-diabéticos ou intolerantes ao açúcar ocorre algum comprometimento cerebral.

A prestigiada revista Neurology publicou, em 2012, um estudo realizado com Ressonância Magnética Cerebral em 226 pessoas, com idade entre 60 a 64 anos, em 2 momentos diferentes. A primeira no início do estudo e a seguinte após 24 anos, tinha o intuito de acompanhar o volume cerebral destas pessoas. Foi evidenciado uma redução cerebral maior, 6% a 10%, em duas áreas cerebrais relacionadas a memória, chamadas de hipocampo e amígdala nos idosos que ainda não eram considerados como diabéticos mas possuíam um nível de glicose no limite superior ainda dentro da normalidade. O estudo conclui que o controle mais rigoroso do açúcar pode impactar positivamente na saúde cerebral.

Porque o aumento do açúcar está relacionado ao aumento do risco de demência do tipo Alzheimer?

Sabe-se que a fisiopatologia da doença de Alzheimer está relacionada à formação cerebral de depósitos de proteínas chamadas beta-amiloide. Estas proteínas se agrupam formando placas que acabam por bloquear a sinalização entre as células nas sinapses, provocando morte acelerada dos neurônios. Em contra partida o açúcar estimula a formação cerebral de AGEs (Advanced Glycation End Products) que são moléculas que podem ser tanto lipídicas como proteicas. Formadas no estado hiperglicêmicos são capazes de modificar, irreversivelmente, as propriedades químicas e funcionais das mais diversas estruturas biológicas. No cérebro as AGEs aceleram o depósito das proteínas beta amiloide relacionado a Doença de Alzheimer e aceleram o estado de estresse oxidativo, relacionado ao envelhecimento. Este quadro de risco piora ainda mais se houver uma genética favorável para a Doença de Alzheimer, o que ocorre em pessoas que possuem dois genes APO E4. Independentemente de qualquer outro fator de risco este gene aumenta 14.9 vezes a possibilidade de ter a doença. O teste capaz de verificar esse risco já pode ser realizado com facilidade nos principais laboratórios do país.

O contrário também é verdadeiro. Dietas de baixo índice glicêmico como a do tipo Mediterrânea  contribui para a redução do risco de desenvolver a Doença de Alzheimer. Esse resultado foi demonstrado em um estudo de meta-análise, publicado pela revista BMJ em 2008, no qual foram coletados dados que somaram 514.816 pessoas. O estudo indicou uma diminuição de 13% no risco de desenvolver Alzheimer naqueles indivíduos que seguiam a dieta do tipo mediterrânea. Conclui-se que devemos cuidar o quanto antes da nossa alimentação para no futuro termos um cérebro com mais chance de ser saudável. 

Rafael Higashi é médico com título de mestrado em medicina pela Universidade Federal Fluminense. Com duas especialidades médicas reconhecidas pelo conselho federal de medicina a Nutrologia (registro no CRM: 19627) e a Neurologia (registro no CRM 13728) e especialização em tratamento da dor pela Universidade de Nova York (NYU Medical Center) e Tratamento do Envelhecimento (Cenegenics Medical Institute - EUA) com diversos artigos publicados em revistas médicas Internacionais e Nacionais.  Hoje se dedica inteiramente à clínica (www.clinicahigashi.com.br)  onde pratica medicina voltada para o equilíbrio global da saúde.

Tags: alimentação, ciência, diagnóstico, doença, medicina, saúde

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