Jornal do Brasil

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Ciência e Tecnologia

Doenças ligadas à obesidade custam R$ 3,5 bi por ano ao governo 

Agência Brasil

Uma pesquisa da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) revela que o tratamento de doenças relacionadas à obesidade e ao sobrepeso custam R$ 3,57 bilhões por ano aos cofres públicos. O levantamento foi realizado com base em atendimentos de ambulatório e internações através do Sistema Único de Saúde (SUS).

A Uerj levou seis meses para realizar o levantamento, que teve início no final de 2011. A pesquisa não inclui gastos indiretos, como aquisição de remédios e despesas com licenças médicas, nem pacientes atendidos pela rede privada de saúde.

Dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, que abordam doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, diabetes, asma e osteoartrite de joelho e quadril, também foram usados no estudo.

O médico e professor da Uerj Denizar Vianna, que participou do estudo, explica que uma revisão sistemática da literatura foi feita para encontrar relações entre tais doenças com a obesidade e o sobrepeso. Posteriormente, dados do governo foram aplicados para estimar as despesas relacionados a elas.

As doenças cardiovasculares, maior causa de morte no País, representam 67% dos custos do SUS para tratamento de doenças vinculadas à obesidade e sobrepeso, e significam uma despesa anual de R$ 2,37 milhões, conforme mostra o estudo. Dados sobre hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca foram levados em consideração.

Os dados de 2011 revelam que 48,5% dos brasileiros podem ser considerados com sobrepeso e 15,8% estão obesos. Vianna concorda que a população tem engordado. "Essa condição só vem aumentando, enquanto outras vêm caindo, como o tabagismo. Então, em termos de magnitude, a obesidade hoje já é um fator de risco tão impactante quanto o tabagismo, que está estabilizado em 15% da população", explica o médico.

Para ele, a pesquisa pode ajudar a orientar políticas públicas de saúde, a exemplo da promoção de alimentação saudável em escolas e campanhas em prol da prática de atividade física.

Tags: obesidade, pesquisa, Rio, SAÚDE, universidade

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