Mundialmente conhecido por suas reservas de petróleo e gás natural e detentor do maior Produto Interno Bruto (PIB) per capita do mundo, US$ 88,2 mil, o Catar tem investido pesado em tecnologia para se tornar um país “limpo” e sustentável. Apenas para o estudo e desenvolvimento de projetos ambientais, o governo destina, por ano, US$ 2,5 bilhões.
A preocupação se faz necessária, uma vez que 90% dos alimentos consumidos no país são provenientes de importações. Além disso, a extração de águas subterrâneas tem sido maior do que a sua reposição natural, tornando o Qatar dependente da água dessalinizada, 75% do total consumido. “O país está dependente de elementos que estão fora de nossas fronteiras”, explica o chairman do Programa Nacional de Segurança Alimentar do Qatar (QNFSP), Fahad Bin Mohammed Al-Attiya: “Nosso objetivo é parar com as emissões de carbono enquanto mitigamos este impacto e aprendemos a viver com tais limitações”.
Para apresentar ao mundo alguns de seus projetos sustentáveis para buscar este fim, o país estará presente na Rio + 20, com uma delegação de 100 pessoas, chefiada pelo Emir Sheik Hamad Bin Khalifa Al-Thani e sob a responsabilidade do QNFSP. O principal compromisso do órgão é planejar e desenhar um plano diretor até 2014, ao custo de US$ 300 milhões, e implementá-lo até 2024.
Entre as premissas, a promoção de uma alimentação saudável e eco-friendly, com alimentos produzidos por energias limpas e sem emissão de carbono. O desafio, além de reduzir a pegada poluente, é diminuir a parcela da população obesa e acima do peso (72,3%), diabética (9,5%) e hipertensa (33,8%).
A utilização de energias renováveis é outro importante foco do QNFSP. Um parque solar, previsto pelo plano diretor, está sendo construído no sul do país, e, assim que entrar em funcionamento, vai gerar energia suficiente para o funcionamento de uma grande usina de dessalinização da água.
A iniciativa de se tornar referência em captação de energia solar não só irá aumentar a produção agrícola do Catar – atualmente, das 1,4 mil fazendas em atividade somente 300 produzem o ano inteiro – como também fará com que a emissão de gás carbônico diminua cada vez mais. Desde 2010, já houve uma redução de 14%, acima da média mundial que é de 9%. A meta é se tornar um país totalmente limpo antes de 2030.