Inspirados na lagartixa, cientistas desenvolveram um robô
semelhante a um tanque de guerra, capaz de escalar paredes verticais e deslizar
sobre beiradas íngremes sem usar ventosas de sucção, cola ou quaisquer líquidos
para aderir à superfície.
A máquina, de 240 g, tem trilhos cobertos com microfibras
inspiradas nos pêlos das patas da lagartixa, que consegue escalar janelas e
atravessar paredes sem maiores esforços. O lagarto consegue fazer o truque
graças a milhares de pêlos ultrafinos, denominados "setae", que
interagem com a superfície, criando uma atração molecular conhecida na física
como força van der Waals.
Descrito na edição de terça-feira da revista britânica Smart
Materials and Structure, o robô tem trilhos guarnecidos com protuberâncias no
formato de cogumelos, dotadas de microfibras de polímero medindo apenas 0,017
mm de largura por 0,01 mm de altura.
A título de comparação, o fio de cabelo humano tem cerca de 0,1 mm de espessura. "Enquanto as forças van der Waals são consideradas relativamente fracas, as saliências finas e flexíveis das protuberâncias em forma de cogumelo garantem que a área de contato entre o robô e a superfície seja maximizada", explicou o cientista Jeff Krahn, da Universidade Simon Fraser de Burnaby, na província canadense de Columbia britânica.
O robô-tanque tem partes dianteira e traseira, cada uma com
dois trilhos, e uma junta articulada no meio para ajudá-lo a se mover sobre
superfícies planas e com quinas.
Um vídeo, disponibilizado no Youtube (https://bit.ly/tHPhqH),
o mostra em ação, escalando superfícies a uma velocidade de até 3,4 cm/s. O
dispositivo pesa 240 g, mas testes demonstraram que ele é capaz de carregar uma
carga extra de 110 g.
Ainda como protótipo, o robô fica preso a um cordão
umbilical que lhe fornece energia e sinais de controle, mas segundo a equipe
encarregada de seu desenvolvimento, será alimentado com pilhas e um computador
para lhe dar mais autonomia. Se o modelo experimental se sair bem nos testes, o
equipamento terá dezenas de aplicações.
Robôs escaladores de paredes podem ser usados na limpeza de
janelas, inspeção de edifícios e encanamentos, bem como em operações de busca e
resgate. Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford, na
Califórnia, adotou uma abordagem diferente, usando fibras similares às dos pés
das lagartixas, ao invés de trilhos, para ajudar o robô a escalar.
Mas os trilhos, atrelados a esteiras, devem ser vistas como
um avanço, porque têm um projeto mecânico mais simples, explicou Krahn.
Os trilhos podem se expandir facilmente, quando o robô levar uma carga mais pesada, acrescentou. "Infelizmente, ainda não calculamos os custos de desenvolver um robô lagartixa, pois ainda estamos no estágio do protótipo", afirmou Krahn por e-mail.